Dom Ildo Fortes

Mensagem para a Quaresma de 2024

Mensagem para a Quaresma de 2024   Nesta manhã de quarta-feira de cinzas foi divulgada a mensagem para a Quaresma de 2024 do Bispo de Mindelo, com o título: “Eis que faço novas todas as coisas”. No início da sua mensagem Dom Ildo Fortes sublinha a necessidade espiritual e vital de recomeços, neste mundo que enfrenta um cenário de dolorosos conflitos. Na sua mensagem, Dom Ildo Fortes, com olhar esperançoso, apresenta-nos a fraternidade como meio de conversão nesta aventura quaresmal que é pessoal e comunitária. Que a oração, o jejum e a esmola nos façam “parar na presença de Deus junto da carne do próximo”. A Renúncia Quaresmal deste ano destina-se “às vítimas da guerra em curso entre Israel e Hamas; um gesto de solidariedade e participação no seu sofrimento, em colaboração com a Caritas Jerusalém”, concluiu o Bispo de Mindelo.   Mensagem na íntegra MENSAGEM DO BISPO DE MINDELO – QUARESMA 2024“Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21, 5) Queridos irmãos e irmãs Em determinados momentos da vida desejamos muito que surja um novo tempo e se escreva uma nova página da história. Firmes na Palavra do Senhor é sempre possível recomeçar e fazer tudo novo de novo. O Espírito de Deus nos encoraja a nos reinventarmos. Deixemo-nos recriar pela Palavra de Deus, para uma nova orientação de vida nesta caminhada quaresmal. A palavra-chave deste tempo é conversão; uma transformação séria em nós é possível porque Deus é amor em acção e Ele tudo pode. Este tempo é uma porta favorável que se abre diante nós. Na mensagem para a Quaresma deste ano, o Papa Francisco nos lembra que Deus vê e escuta, está atento às situações de escravidão e dor do seu povo, por isso, decidiu descer para o libertar (cf. Ex 3, 7-8). Também hoje o grito de tantos irmãos e irmãs oprimidos chega ao céu. Os relatos que nos chegam a cada instante põem em evidência que o mundo está doente e em decadência. Enfrentamos desafios de violência, hostilidades entre os povos, ondas crescentes de rivalidades e intolerância um pouco por toda a parte. A realidade faz-nos pensar que somos mais inimigos uns dos outros que irmãos. Diante desse cenário, questionamo-nos: como justificar tantos conflitos e guerras inimagináveis num mundo que busca progresso e luta pelos direitos humanos? Quem nos poderá livrar do peso do pecado e deste fardo que a humanidade carrega? Sozinhos, não somos capazes; precisamos do olhar solícito de Deus e da sua intervenção paterna. A Quaresma, como caminho para a Páscoa, é entrada na via da libertação. Deus persiste em nos procurar, oferecendo-nos a oportunidade de reintrodução na vida. Este é o momento de se recentrar no caminho da fraternidade, da luz verdadeira e da liberdade. Esta jornada rumo à Páscoa é uma aventura pessoal e comunitária alcançada no horizonte da esperança. Há que descobrir a esperança no meio das nossas guerras, entre os escombros do horrendo, entre os pobres, os frágeis e os desprotegidos que continuam a ser objectos de exploração pelos poderosos e por sistemas económicos que impiedosamente asfixiam e matam. A proposta da Igreja para nós é clara: converter dos nossos maus caminhos: semear a beleza que abre a nossa imaginação ao transcendente, o bem e a verdade, porque isso é o remédio que nos repõe na senda da santidade. Diz Francisco que: “É tempo de agir e, na Quaresma, agir é também parar: parar em oração, para acolher a Palavra de Deus, e parar como o Samaritano em presença do irmão ferido”, porque “o amor de Deus e do próximo formam um único amor”. O deserto quaresmal é “parar na presença de Deus, junto da carne do próximo. “Por isso, oração, esmola e jejum não são três exercícios independentes, mas um único movimento de abertura, de esvaziamento: lancemos fora os ídolos que nos tornam pesados, fora os apegos que nos aprisionam.” Com o Papa, cremos que se “esta Quaresma for de conversão, a humanidade extraviada sentirá um estremeção de criatividade: o lampejar duma nova esperança”. A Renúncia Quaresmal deste ano, após ter ouvido o Conselho Presbiteral, será para as vítimas da guerra em curso entre Israel e Hamas; um gesto de solidariedade e participação no seu sofrimento, que fazemos em colaboração com a Caritas Jerusalém. A Renúncia Quaresmal de 2023 em favor das famílias mais pobres que carecem de segurança alimentar rendeu 489.289$00. Não nos falte a ousadia da caridade; cada um dê como dispôs em seu coração, sem tristeza nem constrangimento, pois Deus ama quem dá com alegria (2 Cor 9, 7)! Que a espiritualidade da nossa Quaresma nos infunda coragem, luz e força para prosseguir a caminhada, aguardando os novos céus e a nova terra (cf. Ap 21, 1). Mindelo, Quarta-Feira de Cinzas, 14 de fevereiro de 2024 † Ildo Fortes, Bispo de Mindelo

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Dom Ildo Fortes – Valorizar o estar em comunidade

Dom Ildo Fortes – Valorizar o estar em comunidade Dom Ildo Fortes – Bispo de Mindelo Domingo 22 de outubro foi dia de festa na comunidade caboverdiana em Roma: celebrou Nossa Senhora do Rosário, sua Padroeira, com procissão e missa presidida por Dom Ildo Fortes, Bispo de Mindelo, que está em Roma para o Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade. Em entrevista à Rádio Vaticano, Dom Ildo deteve-se sobre esse momento vivido com os seus conterrâneos, aos quais recomendou que não deixem que lhes roubem a comunidade, e sobre a sua experiência no Sínodo a decorrer no Vaticano. Dulce Araújo – Vatican News A festa deveria ter sido a 7 de outubro como em toda a Igreja, mas este ano, diversos fatores levaram a adiá-la para o dia 22. E a ampla Igreja de Cristo Redentor e Santa Francisca Cabrini, em Roma, encheu-se de cabo-verdianos em trajes de festa para celebrar a sua Padroeira, Nossa Senhora do Rosário. E estando o Bispo de Mindelo, em Roma, não podia deixar de ser ele a presidir à Eucaristia, concelebrada pelo capelão da comunidade, P. José Cabral, e por vários outros padres, amigos da comunidade.  Nesse domingo em que se comemorava também o Dia das Missões e o lançamento do Ano Pastoral na comunidade, foram ainda apresentados os diversos corpos socio-pastorais que juntamente com o capelão e as Irmãs da Associação Rainha dos Corações, levarão a cabo as diversas tarefas no Centro Cabo-verdiano Nossa Senhora do Rosário (que, com essa Igreja) constitui, há 50 anos, graças ao Movimento Tra-Noi, o ponto de referência da comunidade na capital italiana.  Procissão No encontro em que tomaram parte também alguns representantes diplomáticos e do Movimento Tra-Noi, foi lida oficialmente, por um representante do Vicariato de Roma, a atribuição do cargo de capelão ao P. José Cabral que substitui ao anterior, P. Samuel Costa que, entretanto, regressou a Cabo Verde.  Seguiu-se o convívio no salão, onde Dom Ildo Fortes, surpreendeu muitos ao tocar e cantar para a comunidade. Dom Ildo Fortes cantando e tocando guitarra   Da forma como viveu esse domingo com as gentes de Cabo Verde em Roma, falou hoje, Dom Ildo com a Rádio Vaticano, em entrevista. Dom Ildo Fortes falou também em entrevista à Rádio Vaticano do Sínodo dos Bispos em que está a participar em respresentação da Conferência Episcopal Inter-territorial de Cabo Verde, Guiné-Bissau, Senegal e Mauritânia. Uma experiência nova para ele por ser primeira vez que participa num Sínodo dos Bispos, como também por este Sínodo se desenvolver numa metodologia diferente dos anteriores e por fazer parte de um processo que se concluirá no próximo ano.  Fonte: Vatican News

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Sínodo: Cabo Verde leva voz de «Igreja jovem», numa região «constantemente em crise», indica D. Ildo Fortes

Sínodo: Cabo Verde leva voz de «Igreja jovem», numa região «constantemente em crise», indica D. Ildo Fortes «Os cabo-verdianos estão a passar um momento difícil», alerta bispo de Mindelo  Foto: Ricardo Perna Roma, 06 out 2023 (Ecclesia) – O bispo de Mindelo afirmou que a Igreja Católica em Cabo Verde está com “saúde”, e destaca o trabalho que em favor de uma região “constantemente em crise”. “Tivemos o tempo de pandemia, tivemos quatro anos de seca severa, agora a guerra pelo mundo, mas sobretudo esta na Europa, na Ucrânia, que nos afeta diretamente. Podemos dizer que a nós não nos afetou tanto este momento de crise porque estamos constantemente em crise, mas se estava mal, estamos pior”, disse D. Ildo Fortes, à Agência ECCLESIA. Em Roma, na XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo, o bispo da Diocese de Mindelo explica que Cabo Verde é um país que “vive sobretudo de ajudas exteriores”, não há água doce, e também “não chove”, por isso, os campos produzem pouco. “Temos de importar grande parte daquilo que consumismo, a nível alimentar, e toda esta situação fez com haja uma inflação tremenda, nos transportes, os transportes aéreos, os cabo-verdianos estão a passar um momento difícil”, assinalou. No contexto da dependência externa de Cabo Verde e da falta de água, que tem tendência a agravar-se, e da nova exortação do Papa Francisco, a ‘Laudate Deum»’ (Louvai a Deus), o bispo de Mindelo afirma que, “felizmente o cabo-verdiano está educado para poupar água”, e “não se coloca o problema do desperdício”. “Os Governos anteriores fizeram um esforço para criar barragens, estes anos excecionalmente choveu, é uma graça enorme, vê-se a alegria e a esperança a renascer nas pessoas do campo, mas grande parte da água, quando chove, vai para o mar”, desenvolveu. D. Ildo Fortes alerta que sofrem “com a situação que se vive a nível climático pelo mundo”, as secas severas em Cabo Verde “têm sido maiores”, “desequilíbrios da natureza” que os afetam muito, e verificam também “muita poluição nos mares”, onde encontram “plástico, muito lixo nas praias que também chega de fora para dentro”. “O mundo é um só, somos uma aldeia global, e tudo o que se passa tem repercussão em Cabo Verde”, acrescenta, lamentando também os efeitos da “pesca desenfreada e descontrolada” no seu território, que afetam espécies e os pescadores locais, que “não encontra peixe” na proximidade das ilhas. O Vaticano publicou esta quarta-feira, dia 4 de outubro, um novo documento do Papa Francisco sobre o tema da ecologia integral, a exortação ‘Laudate Deum»’ (Louvai a Deus), que visa dar continuidade à reflexão da encíclica ‘Laudato Si’ (2015). D. Ildo Fortes, que é também o presidente da Cáritas de Cabo Verde, assinala que a organização católica desenvolve “um trabalho muito focado nas famílias que vivem grande instabilidade, grande insegurança alimentar”, uma “preocupação” da instituição desde o âmbito nacional, diocesano e paroquial, “no terreno”.  Foto: Ricardo Perna Neste sentido, adianta que a Cáritas está sempre a “inventar maneiras” para ajudar as famílias “a não sucumbirem”, como encontrar projetos e pedir apoios à Europa, a diferentes organismos, à Fundação João Paulo II para o Sahel, que nasceu, a 22 de fevereiro de 1984, para ajudar as populações do Burkina Faso, Níger, Mali, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Mauritânia, Senegal, Gâmbia e Chade. O bispo de Mindelo explica que o apoio internacional é “fundamental”, mas Cabo Verde está classificado “como país de desenvolvimento médio”, por isso, já “não é contemplado” pelas “grandes organizações que apoiam os países do terceiro mundo e os países pobres”. Segundo D. Ildo Fortes, as ajudas também são canalizadas para o Estado e “é muito difícil” a Igreja conseguir esses apoios, e fez “um apelo, a quem está vocacionado, para trabalhar com os pobres”: “Precisamos de apoio. Os pobres continuam pobres e nós temos vocação de trabalhar com os mais pobres”. Segundo o presidente da Cáritas de Cabo Verde, a organização solidária, com mais de 40 anos, “faz um trabalho louvável”, o país africano tem “uma diáspora grande”, pelo mundo inteiro, e “o seu esforço” também tem sido ajudar na América do Norte, na Europa, onde são “cerca de 340 mil”, e ver se esta diáspora “consegue estar sensível aos irmãos que ficaram”. D. Ildo Fortes destacou também que estão a preparar um “acontecimento grande para as duas dioceses” do país lusófono, o “grande jubileu” dos 500 anos da Diocese de Santiago de Cabo Verde. Fonte: Agência Eclesia

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