LINHAS DE ORIENTAÇÃO PASTORAL
ANO PASTORAL 2026 -2027
CELEBRAR E ANUNCIAR
«Fazei isto em memória de mim»
- Horizonte pastoral do triénio 2026 – 2029: Celebrar e Anunciar
O triénio pastoral 2026 – 2029 pretende ajudar a Diocese a aprofundar a sua vida de fé, colocando a Eucaristia no centro da vida cristã, da comunhão e da missão.
- Tema do Ano Pastoral 2026–2027
«Fazei isto em memória de Mim»
Lc 22,19; 1Cor 11,24
O primeiro ano do triénio será dedicado à Celebração, mais concretamente à Eucaristia, procurando redescobrir a celebração eucarística como memória viva da entrega de Cristo, presença do Ressuscitado e fonte de comunhão e de missão.
O convite de Jesus – «Fazei isto em memória de Mim» – não se limita à repetição de um gesto ritual. É um apelo a fazer da Eucaristia o centro da nossa vida, deixando que mistério que celebramos no altar transforme a nossa maneira de viver, de servir e de anunciar o Evangelho.
- Objetivo geral
Renovar a vida litúrgica da Diocese, para que a Eucaristia seja verdadeiramente fonte e ápice da vida cristã, gerando comunhão, participação e compromisso missionário.
Pretende-se, assim, que a celebração da Eucaristia não seja vivida apenas como um momento isolado da vida das comunidades, mas como a fonte de onde brota a vida cristã e o impulso para a missão.
- Quatro prioridades pastorais
4.1. Formação litúrgica
Promover uma formação litúrgica contínua de todos os agentes pastorais e comunidades, aprofundando o sentido da celebração e a participação ativa de toda a assembleia.
Ter como principais referências a Sacrosanctum Concilium, a Sacramentum Caritatis e outros documentos e subsídios da Igreja sobre a Liturgia.
4.2. Catequese eucarística para todas as idades
Aprofundar a compreensão e a vivência da Eucaristia em todas as etapas da vida cristã: crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.
Procurar uma verdadeira mistagogia eucarística, ajudando cada pessoa a passar da compreensão do rito à experiência do mistério celebrado e vivido.
4.3. Qualidade e participação nas celebrações
Cuidar da qualidade e da beleza das celebrações, valorizando:
- a participação ativa da assembleia;
- a preparação das celebrações;
- os diversos ministérios litúrgicos;
- o serviço dos acólitos e leitores;
- a música e o canto litúrgico;
- os espaços e ambientes celebrativos;
- o silêncio, a escuta e os momentos de oração;
- a formação e acompanhamento das equipas litúrgicas.
4.4. Espiritualidade missionária: do altar para as periferias
A Eucaristia, celebrada e adorada, deve conduzir ao encontro com os outros, especialmente com os mais pobres, frágeis, esquecidos e afastados.
Da mesa da Eucaristia nasce uma Igreja enviada: uma Igreja que celebra, adora, serve e anuncia.
- Linhas de ação diocesana
Para concretizar estas prioridades, propõem-se as seguintes iniciativas:
5.1. Eucaristia e Adoração
- Promover, uma vez por mês, 24 horas de Adoração ao Santíssimo Sacramento, envolvendo progressivamente todas as paróquias e comunidades.
- Criar uma iniciativa diocesana «24 Horas para o Senhor», como uma grande corrente de oração eucarística, em que toda a Diocese se une em Lausperene.
- Incentivar a adoração eucarística regular nas paróquias e vigararias.
- Criar momentos de formação sobre a presença real de Cristo na Eucaristia e sobre o sentido da adoração.
5.2. Tenda de Adoração Eucarística
Montar uma Tenda de Adoração Eucarística no Centro da Cidade, como espaço de presença, oração e evangelização.
A iniciativa pretende tornar visível que Cristo está presente no coração da cidade e proporcionar a todos – crentes, afastados e pessoas que simplesmente passam – a possibilidade de entrar, permanecer em silêncio, rezar e fazer a experiência de um encontro com o Senhor.
«Porque o Senhor faz milagres», a Tenda poderá ser também um espaço de escuta e acolhimento.
5.3. Música e canto litúrgico
- Promover ações de formação dos coros paroquiais.
- Promover o intercâmbio entre os coros das paróquias, para a partilha de experiências e repertórios.
- Incentivar a formação litúrgica dos responsáveis pelo canto e pela música.
- Criar, sempre que possível, momentos diocesanos de canto e animação litúrgica.
5.4. Acólitos e ministérios litúrgicos
- Realizar a Jornada Diocesana de Acólitos.
- Promover formação e acompanhamento dos acólitos.
- Valorizar os diversos ministérios e serviços litúrgicos.
5.5. Catequese
- Realizar a Jornada Diocesana da Catequese, de 6 a 8 de agosto de 2027.
- Integrar o tema eucarístico no itinerário catequético ao longo do ano.
- Disponibilizar subsídios para catequeses sobre a Eucaristia – o Minuto Litúrgico em todas as Missa dominical, de modo a alcançar aqueles que só vêm à missa)
- Promover iniciativas que envolvam simultaneamente crianças, famílias e catequistas.
5.6. Fórum Diocesano de Liturgia
Realizar, em 2027, um Fórum Diocesano de Liturgia, destinado à reflexão, formação e partilha sobre a vida litúrgica da Diocese.
O Fórum poderá abordar temas como:
- a participação ativa na Liturgia;
- a preparação das celebrações;
- os ministérios litúrgicos;
- a música e o canto;
- a homilia;
- os espaços litúrgicos;
- a adoração eucarística;
- a relação entre Liturgia e missão.
5.7. Pastoral do Dízimo
- Sensibilizar para a dimensão espiritual e comunitária da Pastoral do Dízimo enquanto expressão de gratidão, corresponsabilidade e partilha.
- Constituir e fortalecer a equipa diocesana responsável pela implementação gradual desta pastoral e iniciar a sua formação a partir de outubro.
5.8. Juventude e Eucaristia
Promover um caminho da juventude rumo à Assembleia Diocesana de 2027, tendo a Eucaristia como uma das dimensões fundamentais deste percurso.
- Convidar os jovens a redescobrir, com o testemunho do São Carlo Acutis, a espiritualidade eucarística. Valorizar a sua ligação com o mundo digital – Pois, ele é conhecido como o «padroeiro da Internet» ou «ciberapóstolo da Eucaristia»; a pastoral juvenil pode aproveitar para criar «pílulas de evangelização digital»; pequenos vídeos (Reels/TikTok) dos próprios jovens sobre a Eucaristia. Revisitar a – Magnifica Humanitas do Papa Leão sobre a Inteligência artificial
- Promover uma Hora Santa / Vigília de Adoração mensal para os jovens.
- Criar momentos de oração, formação e testemunho sobre a Eucaristia.
- Ajudar os jovens a descobrir a ligação entre Eucaristia, vocação e missão.
5.9. Reflexão teológica
Organizar a IX Semana Teológica, com um tema ligado à Eucaristia, à partilha e à esperança, podendo desenvolver-se, por exemplo, a partir das expressões: «Pão Partilhado» e «Alimentar a Esperança»
5.10. Congresso Eucarístico Diocesano
Iniciar, desde 2026-2027, o caminho de preparação do Congresso Eucarístico Diocesano de 2028, envolvendo paróquias, vigararias, movimentos, comunidades, jovens e diferentes agentes pastorais.
- Propostas para as paróquias e vigararias
Cada paróquia e vigararia é convidada a adaptar estas orientações à sua realidade concreta, procurando que o tema do ano esteja presente durante todo o percurso pastoral.
Entre as iniciativas possíveis:
- celebrações eucarísticas temáticas;
- momentos de formação litúrgica;
- encontros paroquiais sobre a Eucaristia;
- retiros e momentos de espiritualidade;
- catequeses mensais sobre a Eucaristia;
- adoração eucarística regular;
- Hora Santa;
- encontros de oração para jovens;
- formação de leitores, acólitos, ministros e coros;
- encontros de famílias;
- iniciativas de caridade e serviço aos mais necessitados;
- momentos de testemunho sobre a experiência da Eucaristia;
- peregrinações e celebrações comunitárias;
- ações missionárias que expressem concretamente a passagem «do altar para as periferias».
Cada comunidade poderá escolher algumas destas propostas, evitando a multiplicação de atividades sem acompanhamento e privilegiando aquelas que possam produzir verdadeira renovação espiritual e comunitária.
- Documentos e subsídios de referência
As orientações pastorais deste ano terão como principais referências:
- Concílio Vaticano II, Constituição sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium;
- Bento XVI, Exortação Apostólica Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis;
- Catequeses do Papa Leão XIV sobre a Liturgia;
- Catecismo da Igreja Católica, especialmente a parte dedicada à Eucaristia;
- Publicações e subsídios do Secretariado Nacional de Liturgia (SNL);
- Outros documentos do Magistério da Igreja e subsídios formativos que possam ser adaptados à realidade pastoral da Diocese.
- Um caminho pastoral: celebrar, adorar, viver e anunciar
As diferentes iniciativas do Ano Pastoral 2026–2027 poderão ser articuladas em quatro verbos que traduzem o caminho proposto:
CELEBRAR – reconhecer na Eucaristia o centro da vida da Igreja.
ADORAR – permanecer diante de Cristo presente e vivo.
VIVER – deixar que a Eucaristia transforme a nossa vida e as nossas comunidades.
ANUNCIAR – partir da mesa da Eucaristia para levar o Evangelho e servir os irmãos.
Assim, o «Fazei isto em memória de Mim» torna-se não apenas o lema do ano pastoral, mas um verdadeiro programa de vida cristã: celebrar o mistério de Cristo, fazer memória da sua entrega, acolher a sua presença e deixar-se enviar para a missão como Igreja Sinodal; Igreja em Saída!
Diocese de Mindelo
SAP – Secretariado da Acção Pastoral
DISCURSO PARA A SESSÃO SOLENE
COMEMORATIVA DOS 50 ANOS DA CARITAS CABOVERDIANA
Auditório da Assembleia Nacional – 6 de março de 2026
Caríssimos irmãos e irmãs,
Ex.mo Sr. Presidente da Assembleia Nacional, Dr. Austelino Correia
Eminência Rev.ma Card. Dom Arlindo G. Furtado
Ex.mo Sr. Presidente do Supremo Tribunal da Justiça, Dr. Benfeito Mosso Ramos
Ex.ma Sra. Dra. Lídia Lima Secretária de Estado da Inclusão Social em representação do Governo de Cabo Verde
Distintas autoridades… Sra. representante da ONU
Mons. Pierre Chibambo, Presidente da Caritas África
Abbé Alphonse Seck, Sec. Geral da Fundação João Paulo II para o Sahel
Reverendos sacerdotes e diáconos,
Distintos Membros do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral
Religiosos e religiosas, Senhoras Diretoras das Caritas CV, CDS, CDM
Queridos parceiros, benfeitores e amigos,
Querida família da Rede Caritas!
Hoje o nosso coração está em festa. Celebrar os 50 anos da Caritas Caboverdiana é celebrar o amor que ganhou mãos, pés e rosto no meio do nosso povo. É celebrar uma história que não se escreve apenas com datas e relatórios, mas com lágrimas enxugadas, mesas partilhadas, vidas reerguidas. Este jubileu de ouro, antes de tudo, é celebrar o amor que se faz serviço. É celebrar uma história tecida de fé, entrega e esperança no coração do povo cabo-verdiano.
A Caritas é a expressão organizada da caridade da Igreja. Mas antes de ser estrutura, é mistério de amor. Antes de ser projecto, é Evangelho vivido. Ela nasce do coração trespassado de Cristo e encontra na Sagrada Escritura uma fundamentação bem clara: “Sereis reconhecidos como meus discípulos se vos amardes uns aos outros.” E ainda aquele testemunho admirado dos primeiros séculos: “Vede como eles se amam.”
A Caritas é família. É rede de relações. Como escreveu o Papa Bento XVI na encíclica Deus Caritas Est, “a caridade não é para a Igreja uma espécie de actividade de assistência social que se poderia deixar a outros, mas pertence à sua natureza, é expressão irrenunciável da sua própria essência.” A Igreja não existe para si mesma — existe para amar. E amar é servir.
Também São João Paulo II, na sua visão profética, recordava que o amor preferencial pelos pobres está inscrito no coração da fé cristã. O amor cristão exige um compromisso com a justiça e com a promoção da dignidade humana. A caridade cristã interpela os fiéis a viver a solidariedade, sobretudo com os mais pobres e vulneráveis. Assim, a ação da Caritas manifesta o rosto misericordioso da Igreja e contribui para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e humana.
O Papa Francisco, com a simplicidade desarmante que o caracteriza, afirmou: “Desejo uma Igreja pobre para os pobres.” Não foi sem razão que ele escolheu o nome do pobre de Assis. Em todo o seu pontificado vestiu o traje da pobreza, lembrando-nos que uma Igreja distante dos que sofrem perde o perfume do Evangelho.
A Igreja tem uma opção preferencial pelos pobres — não como estratégia sociológica, mas como fidelidade a Cristo. Como nos ensina o II Concílio do Vaticano na Constituição Pastoral Gaudium et Spes:
“As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo.”
Num país como Cabo Verde, marcado por fragilidades estruturais, vulnerabilidades económicas e desafios climáticos, a razão de ser da Caritas revela-se com particular evidência. Ao longo destes cinquenta anos, percorremos um caminho feito de muita generosidade. Um caminho discreto, paciente, muitas vezes silencioso — mas profundamente transformador.
A Caritas tem uma maneira de agir peculiar, característica do espírito evangélico; ela não procura holofotes. Não faz do sofrimento palco. Não transforma a dor em propaganda. Num tempo em que até na esfera religiosa se corre o risco de instrumentalizar o bem para proselitismo, interesses pessoais, partidários ou institucionais, a Caritas escolhe a via escondida do Evangelho: “Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a direita.”
A verdadeira caridade é discreta. Respeita. Protege. Guarda a dignidade dos pobres como um tesouro sagrado. Não os expõe, não os humilha, não os transforma em números ou imagens. Nem lhe é permitida olhar ninguém, de cima para baixo. Papa Francisco repetia muitas vezes: “Ninguém pode olhar para alguém de cima para baixo, a não ser quando é para ajudá-lo a levantar-se.” A mensagem é clara, precisamos de agir sempre com: humildade, respeito pela dignidade das pessoas e solidariedade com quem está em dificuldade.
A Caritas é feita de pequenos gestos. «Quem sofre sabe o quanto é grande mesmo um pequeno sinal de afeto e quanto alívio pode trazer. (cf. Mt 26, 13) […]. Nenhuma expressão de carinho, nem mesmo a menor delas, será esquecida, especialmente se dirigida a quem se encontra na dor, sozinho, necessitado (cf. DT 4).
Como dizia Santa Teresa de Calcutá, “não podemos fazer grandes coisas, mas apenas pequenas coisas com grande amor.” São esses pequenos gestos — uma visita, uma escuta atenta, um alimento partilhado, uma oportunidade criada — que mudam destinos.
Victor Hugo, o grande escritor francês, escreveu que “amar outra pessoa é ver o rosto de Deus”. E já Nosso Senhor tinha dito: «O que fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizeste» (Mt 25, 40). É isso que a Caritas faz: aprende a reconhecer o rosto de Deus no rosto cansado e sofrido do pobre. E São Vicente de Paulo, um apóstolo dos pobres, lembrava aos seus missionários: “Os pobres são os nossos mestres.” Eles evangelizam-nos. Eles purificam a nossa fé.
“Os pobres têm muito para nos ensinar. Além de participar do sensus fidei, nas suas próprias dores conhecem Cristo sofredor. É necessário que todos nos deixemos evangelizar por eles. A nova evangelização é um convite a reconhecer a força salvífica das suas vidas, e a colocá-los no centro do caminho da Igreja” (Papa Francisco, Dia Mundial dos pobres, Novembro de 2021).
Francisco recorda, ainda, que Jesus não só está do lado dos pobres, mas também partilha com eles a mesma sorte, e que um gesto de beneficência pressupõe um benfeitor e um beneficiado, enquanto a partilha [o jeito de ser da Caritas] gera fraternidade.
Este dia é um marco de gratidão. Gratidão por todos aqueles que estiveram na origem desta obra. Por homens e mulheres que, muitas vezes no anonimato, deram o seu melhor para aliviar a dor de tantos. Alguns já partiram para a Casa do Pai, mas a semente que lançaram continua a dar fruto. Não seria justo esquecer hoje, Dom Paulino Livramento Évora. Trazemos à nossa memória de coração a sua pessoa e todo o seu empenho, sabedoria e dedicação â Caritas CV. Foi com ele que a Caritas CV teve início há 51 anos (20 Out 1975), embora os Estatutos da Caritas CV só viessem a ser aprovados em 1976.
Em 20 Out 1975, Dom Paulino escrevia: Au Pére Willie Arsenault, Responsable du Servive d’Urgence – International Confederation of Catholic Charities
Linhas de acção da Caritas para a sua Independência:
a/ Passagem Diocese Portuguesa / Igreja de Cabo Verde;
Embora eu não tenha feito a Provisão para isso, creio que a Caritas de Cabo Verde já se encontra autónoma, e está a agir como tal, isto é, oficialmente desligada da Caritas de lisboa. No entanto, se ainda estiver oficialmente ligada, e se para a sua autonomia apenas se requer a intervenção do Bispo da Diocese, ponho aqui a força que de mim – o Bispo de Cabo Verde – depende, para a declarar, como de facto a declaro, Independente e autónima. Ficaráa, para um futuro breve o estudo e publicação dos estatutos por que se deverá reger.
Juntamente com ele, trazemos à memória o Sr. Cónego Jacinto, realmente o primeiro Secretário-Geral da CCV aquele que fez a Ponte da passagem da Caritas de Lisboa para a Caritas CV. E fazendo justiça, temos de lembrar os primeiros Secretários-Gerais: Sr António Moniz (19.Nov.1977); Ir. Maria de Fátima Vieira Andrade [Zinha] (6.Out.1978); Não conheci, mas outros nomes como a Ir. Maria da Conceção Gonçalves, Dra. Gilda Barbosa, Menina Senhorinha Moreno que foram associados à CCV (27. Jan. 1978); a Monique Widmer, não devem passar em branco aqui nesta Assembleia.
É também um momento de comunhão com todos aqueles e aquelas a quem a fé, o Evangelho e a Caridade nos uniram. A acção da Caritas está intimamente ligada à missão da Igreja. Não se pode anunciar o Evangelho sem amar concretamente os irmãos. A palavra sem caridade torna-se ruído; a caridade torna a palavra credível.
Queremos manifestar a nossa profunda gratidão aos nossos parceiros, benfeitores e instituições que promovem o desenvolvimento integral da pessoa toda e de todas as pessoas.
O nosso reconhecimento dirige-se igualmente às diversas instâncias do Governo que sabem ver na Caritas uma mais-valia para o povo cabo-verdiano. Caritas é mais que um grupo, movido pelo voluntarismo, que está aqui e acolá, à mercê de ventos favoráveis e de boas vontades. A Caritas Caboverdiana para que não seja confundida precisava de ser distinguida. São 50 anos de história, cuja credibilidade é provado no tempo e na vida do nosso povo. Noutros o seu papel no campo social foi pioneiro no país que nascia; posteriormente, paulatinamente e bem o Estado foi criando estruturas que passavam a responder às demais necessidades do nosso povo; outras instituições e Associações foram surgindo, cada uma com o seu contributo para a causa do bem comum. Possamos prosseguir respeitando o princípio fundamental da subsidiariedade que é tão salutar num país democrático como o nosso.
Por vezes, uma noção reduzida de Estado laico pode correr o risco de marginalizar a contribuição das instituições de inspiração religiosa, confundindo uma nação profundamente crente com um país indiferente à fé. Contudo, como afirmava o Concílio Vaticano II, a Igreja é “perita em humanidade”. A sua experiência milenar no cuidado dos frágeis é um património ao serviço de todos, sem distinção.
Queremos lembrar, de modo especial, todos aqueles que, no silêncio das comunidades, são refrigério na vida de muitos: as antenas da Caritas espalhadas pelas ilhas e localidades do nosso país. São o coração pulsante desta missão. São a ternura organizada da Igreja no meio do povo.
Não podemos, nesta sessão solene, ignorar a situação dramática do mundo: guerras, violência, exclusão, novas pobrezas. Vivemos tempos de incerteza e fragmentação. Surgem pobres materiais e pobres de sentido; pobres de pão e pobres de esperança.
O Evangelho de Cristo impele a ter uma atenção muito particular para com os pobres e requer que se reconheça as múltiplas, demasiadas, formas de desordem moral e social que sempre geram novas formas de pobreza”:
“Um mercado que ignora ou discrimina os princípios éticos cria condições desumanas que se abatem sobre pessoas que já vivem em condições precárias. Deste modo assiste-se à criação incessante de armadilhas novas da miséria e da exclusão, produzidas por agentes econômicos e financeiros sem escrúpulos, desprovidos de sentido humanitário e responsabilidade social”. (Francisco).
A guerra é uma indústria e uma estratégia que enriquece alguns. Para esses, quanto mais guerra, mais vendas! Não podemos ficar calados diante das estruturas de injustiça, de desigualdade económica, fome e exclusão social.
Somos chamados a olhar para o futuro com realismo, mas também com audácia. A sociedade criou pobres, e isso exige da Caritas um discernimento, criatividade e fidelidade ao seu carisma. Continuaremos a caminhar na esperança. Porque a esperança cristã não é ingenuidade — é confiança activa num Deus que age na história.
Ao concluir, evocamos as palavras inspiradoras da Exortação Apostólica Dilexi te do Papa Leão XIV, que nos convida a redescobrir a centralidade do amor como força que sustenta e renova a Igreja. “Amei-te” — eis o fundamento de tudo. Antes de amarmos, fomos amados. E é dessa experiência que nasce a nossa missão. A fé cristã torna-se autêntica quando se traduz em proximidade concreta com os pobres e na luta contra as causas da pobreza. «O amor ao próximo é a prova tangível da autenticidade do amor a Deus» (DT 26).
No V Dia Mundial dos Pobres (14 de novembro de 2021) o Papa Francisco conclui sua mensagem com um pensamento do Padre Primo Mazzolari:
“Gostaria de pedir-vos para não me perguntardes se existem pobres, quem são e quantos são, porque tenho receio que tais perguntas representem uma distração ou o pretexto para escapar duma específica indicação da consciência e do coração. (…) Os pobres, eu nunca os contei, porque não se podem contar: os pobres abraçam-se, não se contam”.
Os pobres estão no meio de nós… também nós somos chamados a ser pobres, porque só assim conseguiremos realmente reconhecê-los e fazê-los tornar-se parte da nossa vida e instrumento de salvação.
Permitam-me, por fim, expressar a minha sincera gratidão:
Às autoridades aqui presentes;
À Assembleia Nacional pelo reconhecimento e colaboração;
Aos sacerdotes, religiosos e religiosas pelo apoio constante e pelo carinho dedicado à Caritas nas comunidades;
Aos nossos convidados vindos do exterior;
À nossa rede Caritas;
E a todos os que, de perto ou de longe, contribuíram para que chegássemos até aqui.
Que os próximos anos sejam ainda mais fecundos.
Que a Caritas Caboverdiana continue a ser, no coração de Cabo Verde, sinal humilde e luminoso daquele Amor que não passa!
Muito obrigado.
† Ildo Fortes
Bispo de Mindelo e Presidente da Caritas Caboverdiana
NOTA DO BISPO DE MINDELO SOBRE
A SITUAÇÃO DO PE RICARDO EM JERUSALÉM
Caros irmãos e irmãs,
Desejo tranquilizar todos os fiéis acerca do nosso Pe Ricardo Monteiro que se encontrava em Jerusalém para prosseguir os estudos bíblicos. Graças a Deus, ele já conseguiu sair do território afetado pela atual situação de guerra no Médio Oriente.
Temos estado em contacto permanente com ele e informo que, na manhã de hoje, ele viajou em segurança, de autocarro para o Egipto (Sharm el-Sheikh). Está previsto que ainda esta noite siga viagem num voo da Força Aérea Portuguesa para a Ilha de Creta (Grécia). Depois, fará uma escala de alguns dias em Lisboa e está previsto que viaje Cabo Verde, onde permanecerá até que a situação permita o seu regresso a Jerusalém para continuar os seus estudos.
Agradecemos sinceramente as manifestações de preocupação e de proximidade por parte de várias pessoas. Esse cuidado fraterno é sinal da comunhão que nos une como Igreja.
Continuamos a rezar por ele, pelos seus colegas no Colégio em Jerusalém e por todos aqueles que sofrem as consequências dos conflitos. Peçamos ao Senhor o dom da paz para aquela região tão marcada pela fé e pela história da salvação.
Cordialmente e invocando para todos vós as bênçãos de Deus
Mindelo, 5 de março de 2026
† Ildo Fortes, Bispo de Mindelo
