Abertura do Sínodo na Diocese de Mindelo - 24 Outubro

2021-10-23       Actualidade       Igreja  

  

Dom Ildo Fortes, preside neste domingo, em Porto Novo, à abertura solene do Sínodo: Para Uma Igreja Sinodal - Comunhão, participação e missão. Numa Nota dirigida a todos os sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas e aos leigos, podemos nos aperceber do que se trata e qual a finalidade deste Sínodo, convocado pelo Papa Francisco.

ABERTURA DO  SÍNODO «PARA UMA IGREGA SINODAL: COMUNHÃO, PARTICIPAÇÃO E  MISSÃO»  NA DIOCESE DE MINDELO   /  Porto Novo, 24 de Outubro de 2021  

Estimados sacerdotes, diáconos, consagrados e consagradas, irmãos e irmãs em Cristo!

A Igreja inteira foi convocada para um processo Sinodal intitulado «Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão». A abertura solene, para a Igreja universal, aconteceu nos dias 9-10 de outubro de 2021, em Roma, pelo Papa Francisco; no domingo seguinte, dia 17, as Igrejas particulares (Dioceses) deveriam fazer a abertura local. A nossa Diocese, em virtude das eleições que aconteciam nesse dia, passou para o domingo, 24 de Outubro, essa abertura solene que vai acontecer na Paróquia de S. João Baptista – Porto Novo (10h30) – Aldeia Cultural «Nôs Raíz», onde eu já tinha programado estar presente para confirmar na fé um grupo de jovens. Contamos, nesta solene celebração, com representantes de todas as comunidades paroquiais da Ilha de S. Antão e a mesma será transmitida através da nossa página do Facebook.
 

Uma etapa fundamental do sínodo será a celebração da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2023, a que se seguirá a fase de execução, que envolverá novamente as Igrejas particulares. O Papa Francisco convida a Igreja a interrogar-se sobre um tema decisivo para a sua vida e a sua missão: «O caminho da sinodalidade é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milénio».  

O Documento Preparatório deste Sínodo diz que: «este itinerário, que se insere no sulco da “atualização” da Igreja, proposta pelo Concílio Vaticano II, constitui um dom e uma tarefa: caminhando lado a lado e refletindo em conjunto sobre o caminho percorrido, com o que for experimentando, a Igreja poderá aprender quais são os processos que a podem ajudar a viver a comunhão, a realizar a participação e a abrir-se à missão. Com efeito, o nosso “caminhar juntos” é o que mais implementa e manifesta a natureza da Igreja como Povo de Deus peregrino e missionário».
Somos chamados a caminhar juntos neste processo até 2023 em fases diferentes, mas numa atitude de profunda escuta do Espírito Santo que, como o vento, «sopra onde quer. O Documento preparatório sublinha, entre outras, a intenção profunda de:

-  Viver um processo eclesial participativo e inclusivo, que ofereça a cada um – de maneira particular àqueles que, por vários motivos, se encontram à margem – a oportunidade de se expressar e de ser ouvido, a fim de contribuir para a construção do Povo de Deus;


- Reconhecer e apreciar a riqueza e a variedade dos dons e dos carismas que o Espírito concede em liberdade, para o bem da comunidade e em benefício de toda a família humana;  

- Credenciar a comunidade cristã como sujeito credível e parceiro fiável em percursos de diálogo social, cura, reconciliação, inclusão e participação, reconstrução da democracia, promoção da fraternidade e da amizade social;
  Nesta primeira fase de consulta, que acontecerá nas dioceses, quer-se escutar e consultar o Povo de Deus na esperança de contribuir para colocar em movimento as ideias, as energias e a criatividade de todos aqueles que participarem no itinerário, e facilitar a partilha dos frutos do seu compromisso.  

O Papa Francisco não se cansa de frisar a ideia de caminhar juntos e nesta caminhada não fica de fora aquilo que a Igreja e mundo têm vivido e experimentado nos nossos dias. Estamos «num contexto histórico, marcado por mudanças epocais na sociedade e por uma passagem crucial na vida da Igreja, que não é possível ignorar. Uma tragédia global como a pandemia de Covid-19 ‘despertou, por algum tempo, a consciência de sermos uma comunidade mundial que viaja no mesmo barco, onde o mal de um prejudica a todos. Recordamo-nos de que ninguém se salva sozinho, que só é possível salvar-nos juntos’ (FT, n. 32)».
 

Presente no nosso coração e nas nossas reflexões deverão estar as experiências de luto e sofrimento da humanidade sem esquecer que a própria Igreja deve enfrentar a falta de fé e a corrupção, inclusive no seu interior. Em particular, o sofrimento vivido por menores e pessoas vulneráveis por causa de abusos sexuais, de poder e de consciência cometidos por um número notável de clérigos e pessoas consagradas. De maneira solidária, o Povo de Deus, deve assumir a dor dos irmãos feridos na sua carne e no seu espírito. Juntos, temos de pedir ao Senhor «a graça da conversão e da unção interior para poder expressar, diante desses crimes de abuso, a nossa compunção e a nossa decisão de lutar com coragem».
 

Os anseios e o desejo de protagonismo por parte dos jovens e uma maior valorização das mulheres na vida e na missão da Igreja devem encontrar eco e espaço em nós. Caminhar juntos deve ser um sinal profético para uma família humana que tem necessidade de um projeto comum, apto a perseguir o bem de todos.
 

Assim como o «Senhor Jesus é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6), os cristãos, também são chamados “os discípulos do caminho” (cf. At 9, 2; 19, 9.23; 22, 4; 24, 14.22)». Por isso, a sinodalidade é muito mais do que a celebração de encontros eclesiais e assembleias de Bispos, ou uma questão de simples administração interna da Igreja; ela «indica o específico modus vivendi et operandi da Igreja.  O Documento preparatório lembra São João Crisóstomo que afirma: «Igreja e Sínodo são sinónimos».
 

Todo o povo de Deus, todos os batizados, com os seus carismas, vocações e ministérios, são sujeitos ativos de evangelização. Para todos os pastores, o Documento recorda isto que é tão importante e que devemos ter presente nesta caminhada sinodal:

«Os Pastores, constituídos por Deus «como autênticos guardiões, intérpretes e testemunhas da fé de toda a Igreja» não tenham medo de se colocar à escuta da Grei que lhes for confiada: a consulta do Povo de Deus não exige a assunção, no seio da Igreja, dos dinamismos da democracia centrados no princípio de maioria, uma vez que na base da participação em qualquer processo sinodal está a paixão partilhada pela missão comum de evangelização, e não a representação de interesses em conflito. Por outras palavras, trata-se de um processo eclesial, que só pode realizar-se «no seio de uma comunidade hierarquicamente estruturada».  

Vamos todos nesta caminhada descobrir o rosto e a forma de uma Igreja sinodal, em que «cada um tem algo a aprender. Povo fiel, Colégio episcopal, Bispo de Roma: cada um à escuta dos outros; e todos à escuta do Espírito Santo, o “Espírito da verdade”, para conhecer aquilo que Ele “diz às Igrejas” (Ap 2, 7). O Bispo de Roma, como princípio e fundamento de unidade da Igreja, pede que todos os Bispos e todas as Igrejas particulares, nas quais e a partir das quais existe a Igreja católica una e única (cf. LG, n. 23), entrem com confiança e coragem no caminho da sinodalidade.  

«A finalidade da primeira fase do caminho sinodal procura envolver os Pastores e os Fiéis das Igrejas: a consulta, coordenada pelo Bispo, destina-se «aos Presbíteros, Diáconos e Fiéis leigos das suas Igrejas […], Consagrados e Consagradas» (EC, n. 7). De maneira particular, solicita-se a contribuição dos organismos de participação das Igrejas particulares, especialmente do Conselho presbiteral e do Conselho pastoral, a partir dos quais verdadeiramente «pode começar a tomar forma uma Igreja sinodal».

Peço aos pastores, consagrados (as) e a todos os fiéis mais comprometidos nas nossas paróquias que aceitem este desafio que tem um especial empenho do Papa Francisco.  

Uma equipa diocesana, coordenada desde já pelo Pe Frei José Pires, pároco de S. João Baptista, e composta pelo Pe Francisco Brito, das paróquias de S. Nicolau, Irmã Antónia Silva (orionita) de Santo Antão, um casal de S. Vicente e mais alguns elementos, nos ajudarão a dinamizar a primeira fase do processo sinodal na diocese.  

Com muita estima no Senhor que abundantemente nos dá o Seu Espírito de amor e comunhão para a missão, vamos caminhar juntos!  

Mindelo, 23 de outubro de 2021                            

† Ildo Fortes
Bispo de Mindelo

Fonte: Diocese de Mindelo

 



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