UM PAPA EM BUSCA DE RESPOSTAS RADICAIS PARA PROBLEMAS SOCIAIS E DA IGREJA

2019-03-13       Actualidade       Igreja  

  

O Papa Francisco assinala esta quarta-feira o sexto aniversário da sua eleição pontifícia, um momento visto como de viragem, em busca de respostas para os problemas sociais e da Igreja que foram identificados desde 2013.

Andrea Tornielli, diretor editorial da Secretaria para a Comunicação do Vaticano, assinala, numa nota divulgada pela Santa Sé, que os últimos 12 meses, em particular, ficaram marcados «pelo flagelo dos abusos e pelo sofrimento de alguns ataques internos», protagonizados inclusivamente por cardeais.
«Um olhar ao ano que acaba de passar não pode ignorar o ressurgimento do escândalo dos abusos e das divisões internas que levaram o ex-núncio Carlo Maria Viganò, em agosto de 2018, precisamente quando Francisco celebrava a Eucaristia com milhares de famílias em Dublin, repropondo a beleza e o valor do matrimónio cristão, a pedir publicamente a renúncia do Papa por causa da gestão do caso McCarrick», recorda o jornalista italiano.
O antigo arcebispo de Washington, acusado de abusos sexuais, viria a deixar o Colégio Cardinalício e a ser demitido do estado clerical, por «uso impróprio da confissão e violações do Sexto Mandamento do Decálogo com menores e adultos, com a agravante de abuso de poder».
Há menos de um mês, o Papa convocou uma inédita cimeira mundial, com presidentes de conferências episcopais e responsáveis de institutos religiosos, sobre a proteção de menores na Igreja e a crise dos abusos sexuais.
«Para o Papa Francisco, o fundamental é a conversão dos corações que nasce ao ouvir as vítimas», sustenta o porta-voz do Vaticano, Alessandro Gisotti.
Francisco apelou a uma luta “total” e global perante crise à espera de respostas que superem resistências e receios dos responsáveis católicos; no final de fevereiro, o pontífice proibiu o cardeal George Pell, ex-prefeito da Secretaria para a Economia da Santa Sé, do exercício público do ministério, após este ter sido condenado em primeira instância por um tribunal australiano da acusação de abusos sexuais contra menores.
Este é um tema decisivo para a avaliação do pontificado, sobretudo no que diz respeito à sua aposta no envolvimento dos episcopados locais em processos efetivos de decisão; o Papa procura implicar toda a Igreja com a realização sucessiva de Sínodos (o quarto será já em outubro, sobre a Amazónia) e um olhar global sobre os desafios da humanidade.
Face ao crescimento de nacionalismos e populismos, Francisco tem proposto uma Igreja de “portas abertas”, que compara a um “hospital de campanha”, principalmente preocupada com as periferias sociais, económicas e existenciais.
O primeiro Papa sul-americano tem deixado gestos simbólicos como as viagens a Lampedusa e Lesbos, a abertura da Porta Santa do Jubileu da Misericórdia em Bangui (República Centro-Africana), as passagens por prisões e campos de refugiados, a Missa junto à fronteira México-EUA, a aproximação a China com o acordo assinado em 2018 ou a primeira viagem de um pontífice à Península Arábica.
Aos católicos, Francisco tem recordado convicção de que Deus ama todos, sem distinção, propondo uma “revolução da ternura”, na certeza de que a divisão não supera qualquer dificuldade.

Fonte: Ecclesia

 



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