S. Bernardo de Claraval, abade, Doutor da Igreja, +1153
(20/08/2016)


São Bernardo nasceu no Castelo de Fontaine, próximo de Dijon na França no ano de 1090, o terceiro de seis irmãos. Tescelino, pai de Bernardo, ficou consternado quando, ainda muito jovem, ele decidiu tornar-se monge no convento cistercienses, fundado por São Roberto, em 1098: um após outro, os filhos abandonavam o conforto do castelo para seguir Bernardo: Guido, o primogênito, deixou até a esposa, que também se fez monja; Nissardo, o mais novo, também optou por abandonar os prazeres do mundo, seguido pela única irmã, Umbelina e pelo tio Gaudry, que despiu a pesada armadura para vestir o hábito branco; também Tescelino entrou no mosteiro onde estava praticamente toda a família. Um êxodo tão completo como este nunca se verificou em toda história da Igreja. Por terem muitos outros jovens desejado tornar-se cistercienses, foi necessário fundar outros mosteiros. São Bernardo, então, deixou Citeaux, abraçando uma pesada cruz de madeira e seguido de doze religiosos que cantavam hinos e louvores ao Senhor.

Experientes trabalhadores, como todos os beneditinos, os monges logo levantaram um novo mosteiro, dando-lhe o nome de Claraval. A antiga regra beneditina era aí observada com todo rigor: oração e trabalho, sob a obediência absoluta ao abade. São Bernardo sempre preferiu os caminhos do coração: "Amemos - ele dizia a seus monges - e seremos amados. Naqueles que amamos encontraremos repouso, e o mesmo repouso oferecemos a todos os que amamos. Amar em Deus é ter caridade; procurar ser amado por Deus é servir a caridade." 

Por 38 anos foi guia de uma multidão de monges; cerca de 900 religiosos fizeram votos em sua presença. Para abrigar todos os monges foram construídos mais de 343 mosteiros.

São Bernardo depois de laboriosas jornadas retirava-se para a cela para escrever obras cheias de optimismo e de doçura, como o Tratado do Amor de Deus e o Comentário ao Cântico dos Cânticos que é uma declaração de amor a Maria. É também o compositor do belíssimo hino Ave Maris Stella. Também é sua a invocação: " Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria" da salve-rainha. Foi chamado pelo Papa Pio XII "O último dos Padres da Igreja, e não o menor".

Morreu no dia 20 de agosto do ano 1153.



S. Zeferino, papa, mártir, +217
(20/08/2016)


São Zeferino, Papa

São Zeferino foi o 15º Papa a tombar, martirizado, em defesa da Igreja de Cristo.  Era natural de Roma. Dedicou-se com muita diligência e zelo, pregando e testemunhando o Evangelho com grande virtude  e sabedoria, qualidades  que floresceram no pontificado de São Vitor I, de quem se tornaria sucessor na Sé apostólica.

Após o glorioso martírio do Papa São Vitor, ocorrido no dia 28 de julho de 199,  o povo de Deus, unido ao clero,  reuniu-se  em intensas  orações, a fim de que o Senhor iluminasse o rebanho para a escolha de um digno vigário.  Depois de onze dias de intensas orações, o Espírito Santo manifestou-se em forma de pomba e desceu sobre a cabeça do então presbítero Zeferino,  onde repousou por um breve espaço de tempo, desaparecendo em seguida.  Os fiéis  logo identificaram a escolha de Deus. Por unanimidade,  o elegeram no mês de agosto daquele ano, quando assumiu honrosamente o divino governo da Igreja.

Logo no início de seu pontificado, o imperador Septímio Severo moveu, por decreto, intensa  perseguição contra a Igreja, fato que levou São Zeferino a tomar as primeiras providências no sentido de zelar pelo rebanho, levando seu auxílio e consolo naqueles dias de grande tribulação. Pessoalmente,  de dia e de noite,  percorreu infatigavelmente diversas  casas, cavernas e locais subterrâneos.  Colocou em risco a própria vida, visitando e consolando não só os encarcerados, mas também os condenados, que acompanhava até aos cadafalsos.   A todos alentava com palavras e esmolas, levando a eles o Pão dos fortes, regado com o Sangue de Cristo. A cruel perseguição perdurou por nove anos consecutivos, até a morte do imperador Severo, quando a  Igreja recobrou um certo período de paz. 

Editou  importantes regras canônicas, especialmente as  relativas à disciplina eclesiástica.  Foi ele  quem  determinou que  os fiéis católicos comungassem,  pelo menos na ocasião da Festa da Páscoa.  Também, quanto aos  cálices sagrados,   até então confeccionados em madeira,  determinou  que deveriam  ser feitos, ao menos de  vidro.

Durante seu pontificado, a cabeça da heresia reergueu-se furiosamente.  Praxeas, que no pontificado anterior havia retratado-se da pregação de sua heresia patripasiana (negação da Santíssima Trindade), novamente tentou semear sua doutrina errônea e, por isto, foi duramente combatido pelo Papa. Também Tertuliano, que coberto com uma capa de austeridade e  rigor,  grande desgosto causou ao Santo Padre,  após voltar-se contra ele  mediante censuras e ataques. Arrebanhando diversos adeptos, Tertuliano mergulhou definitivamente na lama das  sua doutrina insana. 

 São Zeferino governou a Igreja  até o ano de 217, quando  recebeu a auréola dos mártires no dia 26 de agosto,  sob o governo do imperador Antonino.

VG