REFLEXÃO DA LITURGIA DOMINICAL COM O FREI VALTER DE PINA

2019-05-05       Actualidade       Opinião  

  

O Evangelho proposto para este III domingo da Páscoa nos descreve a experiência do encontro, ou melhor, do reencontro dos discípulos com o Mestre, Jesus Cristo ressuscitado. Efectivamente, Jesus crucificado ressuscitou, está vivo, presente e actuante na vida dos seus seguidores. Ele não abandona nunca os seus. Ele ressuscitou para estar sempre connosco, para morar no nosso coração, para nos renovar e nos ajudar a erguer dos nossos fracassos. Ele, por isso, se faz presente e se deixa reconhecer através de algumas experiências humanas fundamentais, como aquelas narradas no evangelho de hoje. Antes de mais, Ele se manifesta na quotidianidade da vida dos discípulos. Estes voltaram ao trabalho de três anos antes, isto é, à pesca. Estavam desiludidos e tristes não só porque tinham visto a sua esperança a morrer na cruz, mas também porque passaram a noite inteira sem conseguir pescar nada. Eis que Jesus entra em cena, vem ao encontro deles e a situação muda radicalmente. É que sem Jesus não conseguiremos pescar nada, não conseguiremos cumprir cabalmente a nossa missão, não conseguiremos realizarmo-nos plenamente. Com Jesus tudo podemos! Esta é a nossa força! Mas é preciso, no nosso dia-a-dia, confiarmo-nos n’Ele, é preciso obedecer-Lhe, isto é, escutar e pôr em prática a sua Palavra, como fizeram os discípulos que, à sua ordem, laçaram as redes à direita do bote e conseguiram enchê-lo com 153 grandes peixes. A obediência da fé faz milagres, como dizia alguém. Confiemos no Senhor sem reservas!

Jesus se deixa reconhecer, outrossim, na refeição com os seus discípulos. É que sentar-se à mesa e partilhar o alimento é o lugar por excelência de comunhão, de gratuidade e de dedicação recíproca. É a experiência de um fogo, de uma brasa, de um calor humano que nos regenera e nos dá vida. Jesus sabe disto, por isso quis revelar-se nestes termos aos seus discípulos depois da Páscoa para poderem experimentar a sua proximidade e o seu amor que lhes tinha manifestado durante a sua vida pública. Não é por nada que estas experiências continuamos a fazê-las na Eucaristia, o sacramento do amor, da comunhão e da vida. Deixemo-nos encontrar pelo Senhor Jesus ressuscitado e reconheçamo-Lo como Senhor da nossa vida e façamos a experiência d’Ele vivo e presente na Eucaristia.
Ainda gostaria de refletir com os leitores sobre a última parte do evangelho que fala da relação de amor que se deve ter com o Senhor ressuscitado. Como se sabe, depois da traição, normalmente, procura-se recomeçar a relação precisamente com a manifestação e a reafirmação do amor. Ora bem, por três vezes Pedro havia negado Jesus, ao redor de brasas acesas no quintal de Caifás, agora, de novo ao redor de brasas acesas na margem do lago da Galileia, por três vezes Pedro procura responder e garantir o seu amor incondicional a Jesus ressuscitado, sarando de uma vez para sempre as feridas da traição. O amor de Deus, de facto, recupera o homem, pois é um amor que tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo compreende e tudo perdoa, pois é um amor gratuito e que salva. Pois bem, Pedro experimentou este amor profundamente e, por isso, doravante, é um nova criatura, capaz de amar e confiar mais no Senhor e, por conseguinte, disponível a apascentar e a confirmar os irmãos na fé. Não tenhamos medo deste amor de Deus, nem medo de correspondê-lo! O sonho de Deus, na verdade, é que vivamos este amor e testemunhemos este amor aos outros. Isto quer dizer ser missionários, isto quer dizer apascentar as ovelhas. Bom domingo a todos os amigos leitores.




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