RECORDANDO… “FAMÍLIA, UM TESOURO DA HUMANIDADE”

2019-05-15       Actualidade       Igreja  

  

Celebra-se hoje, 15 de Maio, o Dia Internacional da Família, uma data que foi escolhida pela Assembleia Geral da ONU, que proclamou o dia 15 de Maio como o Dia Internacional da Família. O primeiro Dia Internacional da Família foi celebrado em 1994. Este ano, na Diocese de Mindelo, é dedicado à Família e tem como lema “Família, um tesouro da humanidade”. Assim sendo, o Site da Diocese de Mindelo e o Renascer-SV quiseram ler e partilhar alguns ensinamentos e preocupações de Dom Ildo Fortes, Bispo da Diocese de Mindelo, na sua Carta Pastoral para 2018/19.

No dia 19 de Setembro era publicado no Site da Diocese de Mindelo a Carta do Bispo da Diocese de Mindelo para o Ano Pastoral 2018/19 e o título da Carta era “Família, um tesouro da humanidade”.
Na Carta Pastoral para 2018/19, o Prelado da Diocese de Mindelo começa por reconhecer que «a Família é o lugar sagrado, o santuário donde brota a vida e os bens essenciais à nossa realização como pessoa», mas, ao mesmo tempo, admite que «na sociedade cabo-verdiana, esta realidade [a Família] atravessa uma profunda crise e, não será ousado dizer que, de certo modo, ela está enferma».
Como luzes, Dom Ildo Fortes cita o número 6 da Familiaris Consortio e reconhece que «existe uma consciência mais viva da liberdade pessoal e uma maior atenção à qualidade das relações interpessoais no matrimónio, à promoção da dignidade da mulher, à procriação responsável, à educação dos filhos [...]; há a descoberta de novo da missão eclesial própria da família e da sua responsabilidade na construção de uma sociedade mais justa». Por outro lado, cita o mesmo número e mostra que «não faltam sinais de degradação preocupantes de alguns valores fundamentais: uma errada concepção teórica e prática da independência dos cônjuges entre si; as graves ambiguidades acerca da relação de autoridade entre pais e filhos; as dificuldades concretas, que a família muitas vezes experimenta na transmissão dos valores; o número crescente dos divórcios; a praga do aborto; o recurso cada vez mais frequente à esterilização; a instauração de uma verdadeira e própria mentalidade contraceptiva».
Entre as ameaças graves que pairam sobre a família, o Bispo da Diocese de Mindelo aponta «a ideologia de género que, desgraçadamente, se está a pensar introduzir no nosso sistema de ensino», e não se intimida em dizer que «[a ideologia de género] para além de ser estranha à nossa cultura e contrária ao pensamento e à sensibilidade da nossa gente, estamos diante daquilo a que o Papa Francisco chamou de demoníaco e diz que é maldade ensinar a ideologia de género às crianças».
Outro aspecto que mancha a imagem da família, segundo Dom Ildo Fortes, «é o uso abusivo e excessivo do álcool e com consequências gravíssimas para as famílias e para a sociedade (ao nível financeiro, desempenho profissional, relacionamento harmonioso e familiar, etc.)». Neste aspecto, adianta o Prelado da Diocese de Mindelo, «envergonha-nos o desrespeito pelo outro, pela sua vida e por aquilo que é seu, a ausência descarada de civismo e de boas práticas de convivência social».
Um outro problema salientado pelo Bispo da Diocese de Mindelo é a educação e, neste sentido, diz que «escasseiam as famílias que levem a sério a educação como missão, negligenciando princípios fundamentais que assentam suas raízes no Evangelho de Jesus Cristo e na sã tradição secular que plasmou o tecido humano da identidade cabo-verdiana».
O grande desejo de Dom Ildo Fortes é «que todas as comunidades paroquiais, que em si mesmas já são uma família - comunidade de comunidades, aceitem o desafio de ajudar a emergir no seu seio, famílias cristãs sólidas, imbuídas do espírito evangélico e de valores humanos, capaz de edificar a sociedade em qualquer lugar». Por isso, exalta o crescimento de movimentos que trabalham em prol da família e destaca as Equipas de Nossa Senhora, Fraternidade Jesus Maria e José e Comunidade Emanuel, os Secretariados Paroquiais da Família.
Perante todas as sombras que afectam as famílias, Dom Ildo Fortes desafia a própria Igreja de Cabo Verde a não ser «simples espectadora diante do palco destas situações preocupantes e que desfiguram o rosto da sociedade cabo-verdiana». Entende Dom Ildo Fortes que a Igreja «tem um papel fundamental que é ser candeia que vai à frente e ilumina; Ela é portadora da Palavra que desperta as consciências e convida à conversão; Ela chama a arrepiar caminhos perigosos e resvalantes para a decadência social; Ela está comprometida com a “civilização do amor” que os Papas Paulo VI e João Paulo II tanto desejaram».
Por fim, Dom Ildo Fortes sublinha o “papel de relevo” que têm os jovens e admite que: «os jovens e as crianças, constituem uma grande esperança e uma alegria para as famílias mas, ao mesmo tempo, são vulneráveis e são as primeiras vítimas das más opções e dos dramas que experimentam nos seus ambientes».
Dom Ildo Fortes termina a sua Carta Pastoral pedindo a inspiração da Família de Nazaré: «a Sagrada Família de Nazaré, comunidade pobre, simples e humilde mas rica de amor, alegria e paz, inspire o jeito de ser família nas nossas comunidades!».



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