MENSAGEM DO BISPO DE MINDELO PARA AS FAMÍLIAS

2018-12-29       Actualidade       Igreja  

  

Bispo de Mindelo dirige Mensagem às Famílias no Dia da Sagrada Família. Recorde-se que a Diocese de Mindelo tem como Lema Diocesano para 2018-18: Família - um tesouro da Humanidade.

A Igreja, neste tempo de Natal, deseja colocar-nos sob a protecção desta abençoada família e também no-la apresentar como fonte de inspiração e modelo de comunidade a seguir. Para nós que vivemos um ano centrados de modo particular na família, não podemos deixar de celebrar esta Festa com especial ênfase e significado.

MENSAGEM PARA O DIA DA SAGRADA FAMÍLIA

Caríssimos padres e diáconos, religiosos e religiosas,
estimados esposos e esposas e toda a família do povo de Deus


Celebramos hoje a Festa da Sagrada Família de Nazaré, Jesus, Maria e José. A Igreja, neste tempo de Natal, deseja colocar-nos sob a protecção desta abençoada família e também no-la apresentar como fonte de inspiração e modelo de comunidade a seguir. Para nós que vivemos um ano centrados de modo particular na família, não podemos deixar de celebrar esta Festa com especial ênfase e significado. Como nos exorta o Apóstolo na segunda leitura de hoje: como eleitos de Deus, santos e predilectos, vivamos em acção de graças; cantai de todo o coração a Deus a vossa gratidão. Acção de graças e gratidão pelo dom da família e da comunidade à qual pertencemos. Como afirmamos no início do ano pastoral: A família é um tesouro da humanidade Ela é um dos pilares fundamentais da sociedade, «um dos bens mais preciosos da humanidade» (FC 1). Aquele que o Papa Francisco quis apelidar de Papa da Família e da Juventude, São João Paulo II, disse que a família é um «santuário de vida». Devemos não perder oportunidade de afirmar e defender esta como um «património da humanidade» (LG 11); a célula primeira e vital da sociedade (AA 11). Portanto, ela é o lugar sagrado, o santuário donde brota a vida e os bens essenciais à nossa realização como pessoa (cf Carta Pastoral 2018-19).

É com muita mágoa, tristeza e preocupação que, chegados ao final de mais um ano, temos de trazer à memória que em diversas cidades e aldeias da nossa terra, este santuário foi barbaramente profanado. Tantas vidas foram ceifadas por maldade e violência, por falta de amor e respeito pela vida dos outros, tantos crimes passionais levados a cabo por homens com forte desestruturação psíquica e emocional, crianças entregues à sua sorte e à merce de perigos vários e predadores sem escrúpulos nem piedade, órfãos de pais vivos, lares esquecidos e destruídos por egoísmo e falta de compromisso. A meu ver, uma boa parte deste cenário que nos envergonha resulta de um mundo que teima em viver de costas voltadas para Deus, sem dignas referências, sem valores e, paradoxalmente, ostentando pseudo-liberdades, o laicismo intolerante, o secularismo moderno. Como escreve Tomás Halík: «o lugar que o amor deveria ocupar foi arrebatado por vários tipos de prazeres (desde o sexo às drogas) e mais ainda pelo amor a si próprio – o narcisismo que, com a difusão do individualismo moderno e pós-moderno, se transformou, não num simples problema de indivíduos, mas numa das características mais típicas da nossa cultura».

Precisamos de muita e séria reflexão na nossa sociedade. Precisamos de famílias que saibam parar um pouco para o encontro, para olhar uns para os outros e enfrentar com  realismo a vida que nos foi confiada, para escutar, dialogar, amar e suportar as dificuldades que fazem parte da aventura familiar, famílias que, juntas, tenham a coragem de desenhar com esperança o futuro que, ainda que pareça difícil, incerto e desconhecido, pertence a Deus e àqueles que n’Ele confiam.


O mesmo Apóstolo Paulo deixa na Epistola aos Colossenses, umas boas máximas para chegarmos a uma maior e feliz perfeição na família: «revesti-vos de sentimentos de misericórdia, de bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, se algum tiver razão de queixa contra outro… Revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. E tudo o que fizerdes… seja tudo em nome do Senhor Jesus».

Chegados ao final de mais um ano, alegramo-nos pelos muitos esforços e estímulos para apreciar os dons do matrimónio e da família. E são muitos, os movimentos e organismos que generosamente têm estado ao serviço do matrimónio. Neles é notória a dedicação para que a família se mantenha forte no amor e cheia de valores como a generosidade, o compromisso, a fidelidade e a paciência. Com o Papa Francisco, desejamos encorajar todos a serem sinais de misericórdia e proximidade para a vida familiar, onde esta não se realize perfeitamente ou não se desenrole em paz e alegria. (Cf. AL 5).

Que a Sagrada Família de Jesus, Maria e José, comunidade de esperança, ternura e amor interceda pelas famílias da nossa comunidade!

30 de Dezembro, Festa da Sagrada Família, Jesus, Maria e José  

 † Ildo Fortes, Bispo de Mindelo


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