Mathias Schiltz: “O amigo dos imigrantes”

2016-03-15       Actualidade       Diáspora  

  

Nos 50 anos da Missão Portuguesa, o antigo vigário-geral esteve em Esch

O antigo vigário-geral da diocese do Luxemburgo presidiu em Esch-sur-Alzette à “Jornada de Gratidão à Diocese”, uma cerimónia que teve lugar no âmbito das comemorações dos 50 anos da Missão Católica Portuguesa, que estão a decorrer no Luxemburgo. A dois meses de celebrar 83 anos, Mathias Schiltz foi apresentado no início da missa como “o amigo dos imigrantes” portugueses no Luxemburgo, pelo “acolhimento e acompanhamento prestados às nossas famílias, aos nossos idosos, jovens e crianças, na vida da fé e na participação consciente à missão da igreja”.

Mathias Schiltz foi durante 34 anos vigário-geral da diocese do Luxemburgo. “Já merecia estar no Guiness Book”, disse em jeito de brincadeira o antigo homem forte da igreja do Luxemburgo, para depois recordar as “suas” histórias com os imigrantes portugueses.
“Hoje já lembrámos muitos pioneiros, mas eu quero recordar aqui, Carlos de Pina [Um dos fundadores do jornal Contacto e das Amizades Portugal-Luxemburgo]. Um dia na catedral, nos anos 60, disse-me que estava numa situação dificil, por causa do trabalho, e que a mulher trabalhava apenas uma horas nas limpezas. Nessa altura eu lembrei-me que nós estávamos à procura de um porteiro para o palácio episcopal. Disse-lhe para ir lá. Ele foi, e ficou com o lugar. Durante muitos anos morámos no mesmo sitio e construímos uma bela amizade”, recordou Mathias Schiltz, no final da missa, no centre Ariston, onde os fiéis portugueses se juntaram para um “verre d’amitié”.

O antigo vigário-geral recordou ainda Lucien Huss, o fundador das “Amizades Portugal - Luxemburgo”, ( “era o tio do melhor amigo, e eu conheci-o em 1961”), e concluiu afirmando que a “Igreja do Luxemburgo seria mais pobre sem a presença dos portugueses”.

“Pessoalmente, estou muito contente de vos ter connosco”, afirmou Schiltz.

O vigário-geral recordou ainda outras histórias, como a separação da comunidade cabo-verdiana dos portugueses, e ainda, “daquela vez”, em que querendo ajudar uma família que "dormiam os três na mesma cama, acabámos por fazer pior”.

“Fomos fazer queixa à polícia, e a família acabou despejada no meio da rua. Vimos que tinhamos feito mal. Querendo ajudar só piorámos a situação. Felizmente que conseguimos alojá-los na casa paroquial da Igreja do Sacré-Cœur. A família ficou lá muitos anos. Quanto aos caboverdianos, eles tinham tido a independência, e, a partir dessa altura, quiseram ficar sozinhos na igreja do Grund. Os portugueses vieram para a ‘ville haute’ e eles ficaram lá em baixo. Quiseram também a independência”.

A missa deste domingo, 6 de Março, em Esch-sur-Alzette, insere-se no programa das “Bodas de Ouro” da Missão Católica Portuguesa no Luxemburgo. A efeméride começou a ser assinalada já no ano passado, com uma missa de acção de graças na igreja do Sacré Coeur, na capital, e vai encerrar no próximo mês de Julho com uma missa na Catedral de Notre-Dame, presidida pelo arcebispo do Luxemburgo

Veja aqui as fotos das comemorações dos 50 anos da Missão Católica Portuguesa, em Esch-sur-Alzette.


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