HOMILIA DO PE PAULO VAZ NA FESTA DE SÃO JOÃO BAPTISTA – RIBEIRA DE JULIÃO

2019-06-25       Actualidade       Igreja  

  

“Houve um homem enviado por Deus: o seu nome era João. Veio dar testemunho da luz e preparar para o Senhor um povo bem disposto a recebê-Lo (Jo 1,1ss).

Celebramos, hoje, a Solenidade da Natividade de São João Batista, o Precursor, Aquele que anunciou o Batismo com água, prefigurando, antecipadamente, a vinda do Espírito Santo sobre todos os corações, e dizendo-nos que alguém – Jesus – batizaria com o Espírito Santo. Por isso, a temática fundamental desta Solenidade é a Vocação de João Baptista e a nossa vocação de Baptizados. Todos nós somos chamados a sermos discípulos e missionários de Jesus Cristo, anunciando-O a todos os recantos e dando testemunho dA nossa fé baptismal. Desde o ventre materno, Deus O escolheu para uma missão específica e cândida: ser luz para as nações, para que sua salvação chegue a todas as pessoas. A exemplo de João Batista urge ter a consciência límpida da própria missão, porque da mesma forma que a poderosa mão do Senhor estava sobre João Baptista, também está hoje sobre nós, por isso, não é casual que o povo judeu se admirou e se alegrou com a criança, dizendo «que será e o quê que venha a ser esta criança». Desde o início João é considerado um profeta de Deus.
A Solenidade de São João Batista é celebrada relacionando-a com o Natal do Senhor Jesus, exactamente porque seis meses antes da concepção de Jesus, Isabel recebeu a visita de Deus e lhe foi concedida o favor e a misericórdia. A vida e a missão de São João Batista estão intimamente unidas à vida e à missão de Jesus. O nascimento de João Batista vem envolto de mistério e mostra-nos quanto é bom o nosso Deus. Ele não abandona o homem e a mulher na sua desgraça e no seu desespero. Ele vem sempre ao encontro daqueles que N’Ele confiam de todo coração. João Baptista, sendo filho de mãe estéril e de pai de idade avançada, é considerado desde a concepção um dom precioso de Deus e vem com uma missão divina. João Baptista, já não pertence única e exclusivamente só à sua família carnal, mas pertence ao povo de Deus, e se coloca ao serviço de Deus e da sua missão. O seu próprio nome, escolhido por Deus, mostra que Ele tem uma missão concreta a realizar. Ele é chamado e enviado a ser o arauto do Senhor Jesus. O nome do profeta é significativo, pois João significa que “Deus faz graça e misericórdia” porque a Isabel estéril e triste, Deus concede a possibilidade de estar alegre e feliz. A presença de João Baptista antecipa a misericórdia de Deus, que tira o pecado do mundo e a encarnação da divina misericórdia, «o Filho de Deus». 
João Baptista percorria toda a região do Jordão anunciando o baptismo de conversão e ele próprio batizou Jesus de Nazaré (Mt 3,15) e contemplou a primeira epifania do Cristo “os céus se abriram, o Espírito de Deus desceu como uma pomba e pousou sobre Ele, e do céu se ouviu uma voz que dizia ser Jesus o Filho muito amado do Pai”. 
Muitas foram as maravilhas operadas por Deus na vida de João Baptista: a sua concepção inesperada, sua exultação no seio de Santa Isabel sua mãe, pela visita da Virgem Maria, sua pregação no deserto, sua vida humilde, austeramente e penitente, sua pregação profética, seu reconhecimento do Senhorio de Jesus e de sua missão messiânica, sua humildade e a sua profecia nos indicam os horizontes do Cristo Senhor. João, o maior nascido de mulher sobressaiu em tudo, sobressai pela santidade e pelo anúncio da chegada da plenitude dos tempos.
Isabel, que era tida publicamente como estéril, o nascimento de João foi para ela uma remissão e todos deviam saber que a velha Isabel recebeu a misericórdia divina. As suas orações e preces foram atendidas. Ela não era mais a amaldiçoada, mas sim, uma mulher privilegiadamente e abençoada pela misericórdia de Deus. A alegria pelo nascimento do Baptista é uma recompensa pela fidelidade de Isabel e de Zacarias a Deus nosso Pai: “Ficarás alegre e contente e todos se alegrarão com o seu nascimento” (Cf. Lc. 1,14). O nascimento de João foi o cumprimento da promessa divina, da misericórdia insondável de Deus para com Zacaria e assim como, para com Isabel e para com toda a sua casa. Fazendo esta leitura actualizada da salvação de Deus, também hoje em João Baptista, Deus continuará derramando sobre nós o seu abundante perdão e misericórdia  
Celebramos, hoje, as duas dimensões de João Baptista: a humana e a divina. A humana porque celebra-se hoje da mesma forma que outrora com a alegria da família, dos parentes e dos vizinhos de Isabel e Zacaria. Esta família é abençoada e com ela toda a humanidade. E a dimensão divina expressa-se na obediência de Isabel e Zacarias às palavras do anjo Gabriel e à voz de Deus, dando o menino o nome de João, mesmo contra a vontade de maioria (os parentes e familiares), testemunhando para todos que o nome de João é indicativo de uma missão divina desse menino, porque Deus O chamou para cumprir a sua missão. Missão de João Baptista era de anunciar a chegada do Filho de Deus, o Messias esperado, o Salvador do Mundo.
A Primeira Leitura nos ensina que a pertença a Deus faz de João “Servo de Deus”, um homem cuja palavra é como uma espada afiada, incômoda para aqueles que não querem saber de Deus na sua vida, aqueles que se encontram seguros de si, indispostos a se converterem e a mudarem de vida, aqueles que sendo raças de víboras, vivendo hipocritamente se enganam a si mesmo com uma vida superficial, apresentando-se como justo diante dos outros.  A história de João prova a coerência e a autenticidade de uma vida humilde doada generosamente e entregue incondicionalmente ao serviço de Deus e dos homens. Uma vida trilhada ao serviço da evangelização e do anúncio da chegada do Messias Salvador. Por meio do compromisso sério de João Baptista, Deus quer encontrar um povo bem-disposto para O acolher na pessoa do seu Filho Jesus. Hoje, nesta festa, caríssimos irmãos, louvemos e agradecemos a Deus por nos ter concedido um homem tão decidido, tão determinante e fiel, como João Baptista, porque as suas palavras incómodas, nos fazem ver com maior nitidez a nossa situação. Neste Sentido, Ele é testemunha de uma luz poderosa, e embora não seja a luz definitiva, nos aponta Cristo no meio da escuridão da humanidade incrédula, perversa e depravada.  Por isso, João Batista, pela sua fidelidade a Deus, era visto como Elias, aquele que devia de voltar antes da “visita” de Deus. Como o Servo de Javé, João Batista teve que enfrentar a dureza e o sofrimento no desempenho da missão. Ele é o verdadeiro profeta. Realiza a sua missão confiando unicamente n’Aquele que o escolheu, chamou e enviou. E só d’Ele espera recompensa. 
Na segunda leitura Paulo, realça a importância de David e João Baptista. Embora foram dois profetas de épocas diferentes e tempos distintos, mas os dois prepararam a vinda do Messias: David recebeu a promessa do Messias e João Baptista preparou a a sua vinda, pregando um baptismo de penitência. 
O Evangelho desta Solenidade nos ensina que o nascimento de João preanuncia o nascimento de Jesus. João, ainda no ventre materno, anuncia um outro Menino. O nome de João é prelúdio do de Jesus. O extraordinário evento da maternidade de Isabel prepara outro, o da maternidade de Maria. A missão de João faz-nos pregustar a de Jesus. Trata-se de uma única missão, em dois tempos; dois tempos de uma única história que se desenrola em ritmos alternados mas sincronizados. Não devemos contrapor a missão do Baptista e a de Jesus. 
João Batista foi um homem austero, que pregou a penitência com uma linguagem pouco amável: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da cólera que está para vir? Produzi pois, frutos dignos de conversão e não vos iludais a vós mesmos, dizendo: ‘Temos por pai a Abraão!’” (Mt 3, 7-8). João exortava à uma penitência que se torna alegria, alegria da purificação, alegria da vinda do Senhor. A missão de João Batista é, de certo modo, a missão de todo o batizado, que consiste em preparar a vinda do Senhor, que é muito mais que anunciar. É preciso colocarmos por inteiro ao serviço de Jesus não só pelas palavras, mas também com a vida toda.
Caríssimos irmãos, em cada Eucaristia, o anúncio da Palavra de Deus repete o tema que o Baptista fazia ressoar às margens do Rio Jordão: “Convertei-vos!”. “Que devemos fazer?”(Act 2,37). A resposta de Cristo, Corpo-dado e Sangue-derramado, é: “Fazei isto em memória de mim!”. A vida e o martírio de João Baptista são uma das inúmeras respostas-memorial que sempre sobem ao Pai por Cristo, com Cristo e em Cristo. Em nossa sociedade pós-moderna parece que a luz de Cristo está ofuscada. Mas com João Baptista, vamos preparando os caminhos do Senhor, dando testemunho D’Ele pela vida e pela missão. Toda a Igreja e todos nós somos convidados a mostrar que o Cristo presente entre os homens e as mulheres é o mesmo que nos chama a viver a solidariedade, o amor e a alegria de servir e acolher a todos para o Rebanho do Senhor Jesus o Bom Pastor.



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