EXORTAÇÃO DOS BISPOS DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL PARA A QUARESMA 2019

2019-03-08       Actualidade       Igreja  

  

Os Bispos da Conferência Episcopal (Senegal, Mauritânia, Cabo-Verde e Guiné-Bissau), reunidos no passado mês de Novembro de 2018, em Dakar, Senegal, escreveram uma Exortação para a Quaresma de 2019.  


CONFERÊNCIA EPISCOPAL
Senegal Mauritânia Cabo-Verde Guiné-Bissau
EXORTAÇÃO DOS BISPOS PARA A QUARESMA 2019
FÉ EM JESUS CRISTO E OS NOSSOS ATOS

Introdução
“Convertei-vos e acreditai no Evangelho” (Mc 1,15)
Caros fiéis em Cristo, neste tempo de Quaresma, tempo de graça em que Cristo nos chama à conversão, nós, os vossos Bispos, vos propomos uma reflexão e meditação sobre a fé em Jesus Cristo e os nossos atos.
Em ação de graças ao Deus de toda misericórdia, nós nos recordamos da providencial iniciativa do Papa Bento XVI, que, através da sua Carta Apostólica Porta Fidei (Dada em Roma no dia 11 de Outubro de 2011), anunciou um Ano da Fé, aberto em 11 de Outubro de 2012, por ocasião do 50º aniversário do Concílio Vaticano II. Ele declarou: «A ‘porta da fé’ (Atos 14, 27), que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma. Atravessar esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira» (Porta Fidei, nº 1).
O Papa Francisco, na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (Alegria do Evangelho), escreveu: «Na Palavra de Deus, aparece constantemente este dinamismo de “saída”, que Deus quer provocar nos crentes(...). Cada cristão e cada comunidade há-de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho. A alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos discípulos, é uma alegria missionária» (Evangelli Gaudium, nº 20-21).
A ideia de uma “Igreja em saída”, de uma “Igreja missionária”, muito cara ao Papa Francisco, vai no sentido de uma fé cristã chamada a desenvolver-se e fortalecer-se na prática das obras inspiradas pelo Evangelho.
Para desenvolver este tema, nos vos propomos um percurso em três etapas: 1. Ser cristão; 2. Viver e agir como cristão; 3. Testemunhar em atos a nossa fé em Jesus Cristo, na sociedade de hoje.

1. Ser cristão
“O que significa para mim ser cristão? “
Trata-se de uma questão pessoal que cada um de nós deve responder, dependendo de como ele se sente e como vive sua relação com Jesus Cristo. No entanto, encontramos nas Escrituras e na Tradição da Igreja, referências seguras.

1.1. A Escritura
A identidade do cristão repousa sobre a de Cristo. Isso é evidente no episódio da Profissão de Fé do Apóstolo Pedro. Para a pergunta "Para vós, quem sou eu? Pedro, sob inspiração divina, responde: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16, 16). Essa resposta é quase imediatamente questionada. Jesus fá-lo compreender que sua identidade está ligada à sua paixão e só podemos realmente conhecê-lo através da sua morte e ressurreição. O discípulo é aquele que segue Jesus, desta forma, como ele mesmo diz: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16, 24). Não é isso que a Virgem e o Discípulo amado testemunham ao pé da cruz (cf. Jo 19,25-27)? Como que para nos dizer que ser cristão não é ficar satisfeito com um momento, de uma experiência com Jesus, menos ainda alguma Ideia acertada sobre Ele. Ser cristão é seguir Jesus, numa renovada confiança a cada dia, onde quer que Ele nos queira levar nos caminhos da vida, integrando as dificuldades e as provações inevitáveis.
Além disso, a identidade do discípulo transparece claramente na passagem das Bem-aventuranças (Mt 5,1-12) através dos valores e atitudes que Jesus pede que sejam adotadas. Na realidade, trata-se de seguir o Mestre que, primeiramente, percorreu o caminho que propôs aos seus discípulos. Isto é o que o Papa Francisco nos recorda na Exortação Apostólica "Gaudete e Exsultate" (Sobre o chamamento à santidade no mundo de hoje) quando ele indica a todos os cristãos o itinerário ou o programa de bem-aventuranças, como meio para alcançar a santidade.
O culto e a catequese são importantes para a vida cristã. No entanto, a fé cristã não se reduz a uma teoria aprendida e conhecida; não se nutre apenas de princípios ou fórmulas assimiladas sobre o mistério de Cristo; ela não se alimenta somente de cultos e devoções, mas inspira-se também no agir do próprio Jesus Cristo, que afirma, "nem todo o que me diz: ‘ Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos Céu, mas sim aquele que faz a vontade do meu Pai que está  no Céu” (Mt 7, 21).

1.2. A Tradição da Igreja
Encontramos um comentário desta declaração de Jesus numa Homilia do Séc II: “não nos limitemos, portanto, a chamá‑l’O ‘Senhor’; isso não basta para nos salvarmos. O mesmo Senhor afirma: nem todo aquele que diz ‘Senhor, Senhor!’ será salvo, mas sim aquele que pratica a justiça. Por isso, irmãos, demos testemunho d’Ele com as obras, amando‑nos uns aos outros, evitando a impureza, a maledicência e a inveja, e vivendo com temperança, misericórdia e bondade; devemos também inspirar o nosso comportamento na ajuda mútua e não na avidez do dinheiro”. (Ofício de Leituras, segunda-feira, 32ª semana).
Mais perto de nós, o Papa Francisco, na sua primeira encíclica Lumen Fidei (A Luz da Fé), estabelece uma ligação clara entre a fé como dom de Deus e a sua expressão natural, uma profunda transformação: “A salvação pela fé consiste em reconhecer o primado do dom de Deus, como resume São Paulo: ‘Porque é pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós, é dom de Deus’ [Ef 2, 8] (Lumen Fidei, nº 19). Algumas linhas depois, ele diz: “Cristo desceu à terra e ressuscitou dos mortos: com a sua encarnação e ressurreição, o Filho de Deus abraçou o percurso inteiro do homem e habita nos nossos corações por meio do Espírito Santo. A fé sabe que Deus Se tornou muito próximo de nós, que Cristo nos foi oferecido como grande dom que nos transforma interiormente, que habita em nós, e assim nos dá a luz que ilumina a origem e o fim da vida, o arco inteiro do percurso humano. Podemos assim compreender a novidade, a que a fé nos conduz. O crente é transformado pelo Amor, ao qual se abriu na fé; e, na sua abertura a este Amor que lhe é oferecido, a sua existência dilata-se para além dele próprio” (Lumen Fidei, nº 20-21).
Ao aderir totalmente a Jesus Cristo, o cristão se torna uma pessoa transformada pelo amor que dele recebe. Como resultado, ele não vive mais para si mesmo, mas deixa que Jesus viva nele (cf. Gal 2,20). Ser cristão é, portanto, viver neste mundo como Cristo, o que significa: amar o Pai como Ele amou, amar e ajudar os outros como Ele os amou e os ajudou; em suma, doar a vida como Ele a doou (cf. Jo 15,12-13). É isso que o Papa Francisco chama de existência dilatada além da própria pessoa, que envolve toda a vida humana com o desejo de a transformar.

2. Viver e agir como cristão
A Quaresma é um tempo de intenso fervor espiritual nas nossas comunidades cristãs. Ela permite-nos apreciar e sondar a qualidade da vida cristã, através da oração, do jejum e da esmola, que revelam a ligação necessária entre a fé e os atos. A oração mantém e intensifica nossa comunhão com o Deus em quem cremos, que é Pai, Filho e Espírito Santo. O jejum nos ajuda a morrer para nós mesmos para nos abrirmos mais para Deus e para os outros. A esmola nos ajuda a despojarmo-nos de nós mesmos, para nos abrirmos às necessidades dos outros, a participar dos seus sofrimentos e a compartilhar.
São Pedro Crisólogo dizia numa das suas homilias: "Há três coisas (…), irmãos, pelas quais se confirmam a fé, se fortalece a devoção e se mantem a virtude: a oração, o jejum e a misericórdia. O que pede a oração, alcança-o o jejum e recebe-o a misericórdia. A oração, jejum e misericórdia: três coisas que são uma só e se vivificam mutuamente” (Ofício das Leituras terça-feira da Quaresma, 3ª Semana).
São Tiago nos dá uma bonita ilustração, quando ele diz: “E, se um irmão ou uma irmã estiverem nus, e tiverem falta de um alimento quotidiano, e algum de vós lhes disser: ‘Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome’ mas não lhe dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver as obras, está completamente morta” (Tg 2, 14-17).
São Tiago parece bem marcado pelo Antigo Testamento. De fato, o serviço dos outros é um tema privilegiado dos profetas. Citemos alguns exemplos:
• Isaías 58, 5-8: "Podeis chamar a isto jejum e dia agradável ao Senhor? O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injustamente, livrá-los do jugo que levam às costas, pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opressão, repartir o teu pão com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não desprezar o teu irmão. Então, a tua luz surgirá como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se. A tua justiça irá à tua frente, e a glória do Senhor atrás de ti" 
• Miqueias 6, 8: "Já te foi revelado, ó homem, o que é bom, o que o Senhor requer de ti: nada mais do que praticares a justiça, amares a lealdade e andares humildemente diante do teu Deus”. 
• Oseias 6, 6: "Porque Eu quero a misericórdia e não os sacrifícios, o conhecimento de Deus mais que os holocaustos”. 
Nos Evangelhos, a necessidade de fé ativa é claramente afirmada. O próprio Jesus citou duas vezes Os 6, 6 (Cf Mt 9,13; 12,7), para fazer compreender o que nos deixa como testamento, antes de passar deste mundo para ir ao seu Pai: "Não há maior amor do que dar a vida pelos amigos” (Jo 15,13). Várias vezes, sua pregação e sua ação favorecem a ação benéfica, consistindo em aliviar, curar, elevar e a restaurar a dignidade do homem (Cf. Mt 4, 23-25; 9, 35-36; 14, 13, 21; 15, 29-31; 25, 31-46; Mc 9, 41). Eis por que nos o vemos continuamente em movendo, não apenas para alcançar o homem onde ele está, mas também para atender às suas necessidades. 
São Paulo se une a São Tiago em sua concepção de uma fé em obras através do exercício concreto da caridade? “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas, se não tiver amor, nada sou. Ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita (1 Cor 13, 1.2.3). 
Notemos enfim a Primeira Epístola de São João, onde encontramos esta bela declaração sobre a prática da fé: "Foi com isto que ficámos a conhecer o amor: Ele, Jesus, deu a sua vida por nós; assim também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos. Se alguém possuir bens deste mundo e, vendo o seu irmão com necessidade, lhe fechar o seu coração, como é que o amor de Deus pode permanecer nele? Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade" (1 Jo 3, 16-18).
Tudo isso nos reforça na convicção segundo viver e agir como cristão e também carregar a preocupação de todo homem, a exemplo e no seguimento de Cristo que se fez carne "por nós homens e para nossa salvação” (Artigo do Creio Niceno-Constatinopolitano).

3. Testemunhar  em atos  a nossa fé em Jesus Cristo, na nossa sociedade de hoje
"Não é suficiente DIZER ...; é necessário FAZER ... "(cf. Mt 7, 21). Vivemos numa época e numa sociedade em que a "religião do dizer" fez perder sua palavra de honra no sentido da palavra refletida, a palavra vivida, a palavra dada. Acredita-se que falar muito e bem - seja qual for o conteúdo do que é dito - é suficiente para se destacar e ter sucesso. Apenas palavras para poucas ações!
Além disso, no nosso contexto eclesial, não chegamos a reivindicar a nossa identidade cristã, através de uma prática cultual regular, sem compromisso prático no cotidiano de nossas vidas? Não nos contentamos de ser cristãos que regularmente enchem as igrejas, mas que não se importam com testemunho a dar? Qual é o real impacto de nossas profissões de fé no cotidiano de nossas vidas? Para que serve nossa fé, se ela é, como diz Jesus, uma lâmpada escondida sob um alqueire? (Cf Mt 5, 15). Escutemos nosso Mestre interpelando a nossa consciência de discípulos, com estas palavras: “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. É inútil o culto que me prestam, as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos" (Mc 7, 6-7; Is 29,13). Tenhamos presente, porém, que é na relação profunda com Cristo, pela oração e pelos sacramentos, que possuímos a força da ação e do testemunho autêntico que o envio final da missa exige: "Ite  missa est!"
Tomemos consciência, com o apóstolo São Tiago, que somos cristãos para levar, neste mundo, o desafio de uma fé coerente, verificável nos atos que praticamos todos os dias.
Comentando a passagem do Evangelho de Mateus 23, 1-12, o Papa Francisco lembrou a atitude dos fariseus e escribas que, segundo Jesus, "dizem e não fazem" (Mt 23, 3). Eis o que ele diz: "Dizer e não fazer é um engano. E é um engano que nos leva precisamente à hipocrisia. Portanto, a misericórdia do Senhor reside na ação. Então, para aqueles que batem à porta e dizem: "Mas, Senhor, tu te recordas...", ele responde: "Eu não te conheço!" Por outro lado, para aqueles que o fazem, ele diz: "Tu és pecador como o escarlate, como a neve te branquearás". Assim, a misericórdia do Senhor vai para aqueles que têm a coragem se confrontar com Ele, mas de se confrontar sobre a verdade, sobre as coisas que faço ou as que não faço, para me corrigir " (Homilia 25 de agosto 2018 na Capela Santa Marta).
Se a cada ano a Quaresma nos oferece uma boa ocasião de nos aperfeiçoarmos na prática da caridade, nunca nos esqueçamos que toda a vida do cristão é chamada a ser caridade para todo o homem, especialmente para com os fracos e os pobres.
Uma das dimensões da caridade é o compromisso. No nosso contexto social e eclesial, tal compromisso pode tomar várias direções:
 compromisso de lutar pelo respeito e proteção da vida e da dignidade das pessoas, especialmente dos mais vulneráveis, e promover os valores do matrimónio e da família;
 compromisso de respeitar a palavra dada e dizer a verdade;
 compromisso de fazer triunfar a justiça no exercício das nossas responsabilidades;
 compromisso de promover a paz e a coesão social;
 compromisso de participar do desenvolvimento de seu país através de um comportamento cívico responsável, especialmente o comprimento consciencioso de seu trabalho profissional;
 compromisso de preservar e promover o bem comum, como nós recordamos na nossa Exortação para a Quaresma de 2018;
 compromisso ao serviço na Igreja e no seio da comunidade cristã;
 compromisso de preservar o nosso ambiente como nós recomendado na  Exortação para a Quaresma de 2013 e, como nos exorta ainda, com mais insistência o Papa Francisco, na encíclica "Laudato si".
Poderíamos ampliar a lista, pois os desafios de nossa fé são numerosos e urgentes. Que a demos um novo sopro, colocando-a à prova dos atos concretos para o bem de nossa Igreja-Família de Deus, para o bem da nossa sociedade e para a vida do mundo.

Conclusão
São Tiago escreve ainda: " Assim como o corpo sem o espírito é morto, assim também a fé, sem obras é morta" (Tg 2, 26). Assim, ele deixa a entender que as obras são verdadeiramente a respiração da fé. A fé que Cristo exige é aquela que se traduz na e pela caridade; ela coloca-se todo o dia a caminho para  alcançar o outro nas suas necessidades e aspirações mais elementares. Tal compreensão da fé nos chama a viver sempre melhor o que somos: cristãos, homens e mulheres, que seguem a Jesus Cristo. Isto é o que Ele nos ensina, através de sua pregação sobre o Juízo Final: "porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim" (Mt 25, 35-36).
São gestos simples, acessíveis a toda pessoa de boa vontade, às vezes muito discretos para serem visíveis (Referimo-nos, por exemplo, ao episódio do óbolo da Viúva, Mc 12,41-44). O que os torna heróicos e eficazes, no entanto, é o seu enraizamento num coração benevolente e verdadeiro, à semelhança do Coração de Jesus que passa, vê e pára diante da miséria do homem (cf. Lc 10, 29-37; Mc 12, 41- 44; Mt 25, 40).
Que Nossa Senhora de Caná, que caminha conosco, nos ajude a cumprir a sua recomendação aos servos: "Fazei tudo o que Ele vos disser! "(Jo 2, 5).
Santa Quaresma para todos vós e abundantes bênçãos e graças em Cristo Jesus nosso Senhor!

Feito em Dakar, 18 de novembro de 2018
Trigésimo terceiro domingo Tempo Comum B


Os Bispos da Conferência Episcopal:
Dom José CÂMNATE NA BISSIGN, Bispo de Bissau, Presidente
Dom Paul Abel MAMBA, Bispo de Ziguinchor, Vice-Presidente
Dom André GUEYE, Bispo de Thiès, Segundo Vice-Presidente
Cardeal Théodore Adrien SARR, Arcebispo Emérito de Dakar
Dom Arlindo GOMES FURTADO, Cardeal, Bispo de Santiago
Dom Benjamin NDIAYE, Arcebispo de Dakar
Dom Jean-Pierre BASSENE, Bispo de Kolda e Administrador Apostólico de Tambacounda
Dom Ernest SAMBOU, Bispo de Saint-Louis
Dom Martin  Boucar TINE, Bispo Eleito de Kaolack
Dom Martin HAPPE, Bispo de Nouakchott
Dom Ildo dos SANTOS LOPES FORTES, Bispo de Mindelo
Dom Pedro Carlos ZILLI, Bispo de Bafatá
Dom José LAMPRA CÁ, Bispo Auxiliar de Bissau


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