DOM ILDO FORTES - MENSAGEM DO PASTOR AOS SEUS FIÉIS EM TEMPOS DIFÍCEIS

2020-03-26       Actualidade       Igreja  

  

A página oficial da Diocese de Mindelo, no Facebook, publicou no passado dia 23 de Março, às 19h35, um vídeo intitulado “Mensagem do Pastor aos seus fiéis em tempos difíceis - Dom Ildo Fortes, Bispo de Mindelo”. Eis, na íntegra e literalmente o conteúdo da mensagem no vídeo de Dom Ildo Fortes.  

«Estimados irmãos e amigos, caros diocesanos!
Ontem, pela primeira vez, como nós não temos memória, não pudemos celebrar a eucaristia em comunidade, nas nossas paróquias, apesar de meia parte de vocês nos terem acompanhado pela televisão, pela rádio. Mas, uma coisa é certa: não duvido que estivemos profundamente unidos uns aos outros, unidos ao nosso Deus e unidos à Igreja do mundo inteiro. O momento assim se impunha, não é fácil o tempo em que nós estamos a viver, faço-me aqui presente nesta breve mensagem, apenas para vos dizer que estamos juntos, estamos embarcados na mesma aventura e que a união faz a força. 
«Como vos tenho dito, a Igreja não se vai embora e, através dos seus pastores, sobretudo, quer estar próxima daqueles que mais estão isolados, daqueles que mais precisam. Por isso, contem com eles[os sacerdotes], peçam ajuda, peçam orações, porque os sacerdotes estão a rezar a eucaristia e outros momentos por vós.
«Precisamente hoje, a Liturgia nos brinda com duas passagens lindíssimas. Uma dela é do Profeta Isaías, onde o Senhor diz: “Eu vou  criar os novos céus e a nova terra, e não mais se recordarão do passado”. É uma profecia, uma palavra de esperança e mais nos diz o Senhor: “haverá alegria e felicidade eterna”. Deus é a nossa maior e única fonte verdadeira de alegria. Por isso, os dias que nós estamos a viver são um convite sério para nós colocarmos a nossa esperança acima de tudo, no nosso Deus que não fecha os olhos, mas que nos acompanha em cada passo, em cada momento, em cada tribulação, sobretudo, com aqueles que possam estar mais envolvidos em situações de sofrimentos e de ameaça neste momento.
Uma outra palavra, também ela bonita, é encontrada no Evangelho segundo São João. Jesus está, novamente, em Cannã da Galileia, onde tinha feito o seu primeiro milagre, e há um funcionário real de Cafarnaum, que fica situada há dezenas de quilómetros de distância,  que faz todo aquele percurso porque ouviu falar de Jesus. E foi ter com Ele para Lhe fazer um pedido, para Lhe dizer: “Mestre, o meu filho está doente, desce e vem curá-lo”. É uma autêntica expressão de fé e Nosso Senhor [Jesus] gosta disto, gosta de pessoas que, verdadeiramente, esperam d’Ele e confiam n’Ele. E a cura fez-se, porque esse homem acreditou. Por isso, que, os dias em que nós estamos a viver nesta tribulação e que não sabemos quanto tempo pode durar, sejam vividos, sobretudo, com confiança, como esse funcionário real em Israel que confia em Jesus, o Mestre, e com oração. 
Creio que vai chegando nas nossas casas muitas propostas de como rezar em família, como estar em família, e é precisamente isso que eu queria pedir: que aproveitassem muitíssimo bem o tempo que nos é dado, porque nem sempre temos este tempo para estarmos em família, para sermos criativos, para nos encontrarmos, para exercitarmos a paciência e, sobretudo, para colocarmos uma questão fundamental: Senhor, o que é que tu nos queres dizer? Então, precisamos estar à escuta e ver quais são os sinais de Deus nestes dias e nestas situações.
Deus não nos quer mal, essa é a maior verdade que nós temos, porque ele é um pai que nos ama, mas Deus permite que nós passemos por momentos difíceis, porque Ele sabe que, às vezes, é a grande oportunidade que nós temos de nos convertermos a Ele. Que essa certeza de que os “Novos Céus e a Nova Terra vão surgir” habite bem no nosso coração e sejamos capazes de (nos) apoiar também uns aos (nos) outros nestas horas mais difíceis. Que o Senhor esteja convosco e que a Mãe do Céu, a Mãe de Ternura, a Mãe de Esperança, interceda por nós com a sua ternura de Mãe!».

A mensagem do Bispo de Mindelo foi publicada depois das duas Dioceses do país determinarem a suspensão de todas as celebrações e atividades públicas até uma segunda ordem, suspensão de todas as atividades com grande ajuntamento de pessoas como missa, catequese, conferências e reuniões, entre outras medidas de prevenção. 



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