ARQUIDIOCESE DE BRAGA ORDENA PRIMEIRO PADRE CEGO EM PORTUGAL

2019-07-15       Actualidade       Igreja  

  

Tiago Varanda, seminarista na arquidiocese de Braga, foi ordenado sacerdote no passado domingo, 14 de Julho, e distingue-se dos seus colegas porque é o primeiro padre a ser ordenado cego em Portugal.

«Acho que vou fazer um ministério como qualquer outro sacerdote, naquilo que me couber, naturalmente. Vou ser mais um entre tantos aqui na Diocese, procurarei colaborar com o que o senhor arcebispo me pedir e com aquilo que as pessoas precisarem e for necessário e me pedirem», explica em declarações ao Departamento Arquidiocesano da Comunicação Social de Braga, enviadas à Agência ECCLESIA.
Natural de Lamego, o seminarista de 35 anos nasceu com um glaucoma congénito; perdeu a visão progressivamente e aos 16 anos, já dependia da Micha, a cadela-guia que o acompanhava na altura – agora é a Ibiza, a sua companhia, e que encontra nas sacristias um lugar especial para permanecer durante a celebração litúrgica em que participa.
Antes de entrar no seminário, Tiago frequentou o curso de História, em Viseu, e começou a dar aulas em várias escolas, também na região de Braga, tendo sido neste percurso que a questão vocacional surge e, “aos poucos”, foi percebendo que era chamado ao sacerdócio.
Ao longo de uma preparação de sete anos, Tiago foi perdendo os receios que, considerava, o podiam impedir de ser um dia ordenado sacerdote. 
Sem rodeios afirma que não dependeu apenas da sua vontade: «foi bastante exigente, e sei que não o conseguiria sozinho», destaca, enunciando equipa formadora e a ajuda sempre pronta dos seus colegas no seminário.
A preparação da missa quer na sua ordenação, agendada para a tarde do dia 14, como também da missa nova, não difere muito da preparação dos restantes futuros padres, com exceção de necessitar da liturgia em braille.
Sobre o seu ministério, Tiago Varanda acredita que será «um entre tantos outros» e que com o tempo as pessoas se vão acostumar.
«Claro que, exteriormente, é diferente, as pessoas criam umas certas expectativas, se calhar nos primeiros tempos vão admirar, sei lá, achar surpreendente. Mas, com tempo, creio que isso se vai tornar normal e natural. E claro, vou precisar de algumas adaptações, uma ou outra na liturgia, desde logo o braille, não é… Não vou ler com os olhos, vou ler com as mãos», afirma, explicando que nos primeiros tempos vai necessitar de ter alguém a ajudar, junto ao altar, para «pegar no cálice, para pegar na patena» e prestando alguma orientação.
Em novembro de 2013, a Agência ECCLESIA realizou uma reportagem com Tiago Varanda, que contou como decorria a sua formação, no Seminário Maior de Braga, e hoje enaltece cada uma das dimensões do projecto educativo: a humana, a espiritual, a intelectual e a pastoral.
Ao longo dos sete anos no seminário em Braga, o futuro sacerdote afirma ter crescido muito, tendo despertado para a vivência comunitária, para a importante relação com as pessoas mas também o dever de escutar.
A contínua formação é um dos seus desejos para que possa «enfrentar um mundo muito complexo».
«Se não estamos permanentemente a escutar o mundo e a ler para perceber o que se passa à nossa volta, definhamos e fechamo-nos no nosso mundo e deixamos de ter capacidade de dialogar», indica.
Poucos dias da sua ordenação sacerdotal, Tiago assumia a sua satisfação de “missão cumprida”, e por ter conseguido dar passos que o levaram a este ponto, com capacidade para mostrar a sua “relação com Deus” e a poder levar às pessoas.

Fonte: Ecclesia

 



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