33º do Festival Baía das Gatas homenageia os jovens mindelenses

2017-08-11       Actualidade       Igreja  

  

Cinquenta mil contos? Quarenta mil contos? Trinta mil contos? Vinte mil contos? Dez mil contos?... O que é que se poderia fazer com tanto dinheiro na ilha de São Vicente, esta ilha que tem tanta pobreza e desigualdade social? O que poderia ser feito com tanto dinheiro numa ilha que vê centenas das suas filhas na Praça Nova e arredores, todas as noites, na prostituição? Quantas crianças de rua poderiam ser ajudadas com todo esse dinheiro? Quantos doentes poderiam receber melhor tratamento médico e comprar os seus remédios com todo esse dinheiro? Quantos jovens desempregados poderiam encontrar um ganha-pão se esse dinheiro fosse empregue em centros de emprego e de formação profissional? Quantos estudantes terminariam os seus cursos superiores com apenas algumas dezenas de contos desse montante? Quantos sonhos enterrados poderiam ser ressuscitados com apenas algumas centenas de contos? Quanto empreendedorismo poderia nascer com um pouco daquilo que se gasta em apenas três dia?  

Cinquenta mil contos? Quarenta mil contos? Trinta mil contos? Vinte mil contos? Dez mil contos?... É pena que a Autarquia de São Vicente esconde os números, o montante e o orçamento do 33º Festival de Baía das Gatas!
É caso de se dizer que continuamos a gastar o que temos e o que não temos nas festas da ilha de Monte Cara e esquecemos das prioridades e urgências da mesma ilha. E perguntamos: Quantos milhares de contos serão esbanjados apenas num mês… ou, melhor ainda, em três dias?
Dizem que o Festival é um produto cultural e turístico que se deve vender. Aliás, o Festival é bem vendido por esta cidade e ilha. Mas, quem ganha com a venda do Festival? Haverá uma trincha desse dinheiro para o pobre, o jovem desempregado, o estudante que não pode pagar as suas propinas e a criança de rua que não tem um pão-nosso de cada dia? Haverá uma fatia desse bolo para a mãe solteira que não tem condições de proporcionar aos filhos melhores condições de vida e para os idosos que não têm como comprar os seus remédios? Haverá uma porção desse dinheiro para o Hospital, a Polícia Nacional, Centro Nhô Djunga, os Lares de Idosos e Aldeia SOS? Pelo que sabemos… não!
 Na vida devemos ser racionais. É preciso ver os prós e as contras, contabilizar o que se ganha e o que se perde, e as consequências do Festival são mais negativas do que positivas. O Hospital ganha mais doentes e feridos para curar, a Polícia Nacional ganha mais delinquentes para prender, os Centros SOS ganham mais crianças na/de rua, as famílias ganham mais bêbados e drogados para aturarem e a cidade ganha mais assaltos, violências  e insegurança social.
E o 33º Festival Baía das gatas homenageia os jovens!  Os jovens precisam de homenagens? Acho que, nesta ilha, precisam mais de um pão-nosso, emprego, melhores condições de vida, dinheiro… Pena que são eles que vão mais atraz desses eventos, gastando o que têm e o que não têm, e depois reclamando da vida. Má tchá’m dzê bzôt um cosa na português clor… Mim nhá boca ká ta lá!



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