12 DE FEVEREIRO DE 1931, DIA EM QUE O PAPA INAUGUROU A RÁDIO VATICANO

2019-02-12       Actualidade       Papa Francisco  

  

Em 12 de Fevereiro de 88 anos atrás, um dia depois do aniversário do Tratado de Latrão, Pio XI inaugurou a “Statio Radiophonica Vaticana”. O tesouro tecnológico construído por Guglielmo Marconi abre as fronteiras do mundo ao Magistério dos Papas. Eis a crônica da primeira transmissão papal ao vivo da história.


Cidade do Vaticano - Alessandro De Carolis
Sopra uma tramontana discreta, em Roma, por volta das quatro e meia da tarde, mas não preocupa a multidão que estava se reunindo em diferentes pontos do centro, porque é um dia especial, 12 de Fevereiro de 1931, e os aglomerados de pessoas se notam sobretudo nos lugares onde há um aparelho de rádio.

Edifício na colina
Há outra multidão esmagada naqueles mesmos minutos no espaço de alguns cômodos, cheios de circuitos e maquinários que atordoam de maneira ensurdecedora. Parece uma oficina das maravilhas. Na realidade é o edifício construído, em dois anos, na colina atrás da Basílica de São Pietro, no verde dos jardins. Com suas torres e arquitetura sóbria, o prédio é mais um do imenso canteiro de obras com o qual Pio XI transformou a Cidade do Vaticano, após a assinatura do Tratado de Latrão. O ponto de encontro dos olhares é o grande microfone hexagonal sustentado por quatro molas dentro de um círculo de metal. Às quatro e vinte da tarde, Pio XI chega ao local.

Microfone livre
O primeiro a se aproximar do grande microfone foi o grande artífice. Guglielmo Marconi tinha 56 anos e dois anos antes, Pio XI, que queria uma estação de rádio de última geração para a recém-criada Cidade do Vaticano, fez-lhe tal proposta.
O inventor da rádio visita o Vaticano em 11 de Junho de 1929, apenas quatro dias depois da assinatura do Tratado de Latrão. Estava acompanhado por Francesco Pacelli, homem-chave nas negociações entre Santa Sé e Estado italiano.
Os trabalhos de construção começaram logo e quando se aproxima o segundo aniversário do Tratado, que sancionou  a independência da Santa Sé, se aproxima também a inauguração da rádio que garantirá ao Centro da Igreja um maior grau de liberdade.

Uma hora inesquecível
Diante do microfone, um Marconi emocionado que sublinha o aspecto mais marcante da novidade. Depois de “vinte séculos” de magistério pontifício que se “fez ouvir” com os documentos, é a “primeira vez” em que este pode ser ouvido “simultaneamente” pela “voz viva” do Papa.
E Pio XI, que tinha escrito de próprio punho a primeira mensagem de rádio, não queria decepcionar as expectativas. Às 16h49, o Papa entoa em latim, uma oração-apelo-universal que reúne a criação e os sofredores, Deus e os governantes, ricos e pobres, patrões e operários, diante da “invenção admirável de Marconi”.
Uma hora depois, Pio XI e Marconi estão nas proximidades da Casina Pio IV, sede da Academia das Ciências. Na presença de estudiosos membros da associação, o construtor da Rádio do Papa foi solenemente nomeado membro da Academia a pedido do director da emissora pontifícia, pe. Joseph Gianfranceschi, jesuíta e físico de fama internacional.

Audição clara
As crônicas detalhadas daquele dia refletem o interesse e o clamor suscitados pela primeira transmissão papal ao vivo da história. O sucesso também é devido à excelente qualidade da transmissão. Os jornais dos dias sucessivos noticiam aquela hora extraordinária.
Os Reis do Piemonte voltaram ao hotel para ouvirem a mensagem de rádio, filas de habitantes nas ruas de Veneza, a competição anunciada pelo jornal inglês “The Universe” com um prêmio de 5 libras esterlinas para quem enviasse o melhor pensamento sobre como ouviu a voz do Papa.
As observações do repórter do “Times” em apontar que o discurso de Pio XI tinha sido “um pouco mais rápido do que os dos lábios acostumados a transmissões de rádio”. Ou as palavras do presidente da Sociedade Nacional Americana de Radiodifusão que de Nova York refere a Marconi de transmissões captadas perfeitamente em “lugares como Nassau, nas Índias Ocidentais”.
Mas, talvez, a notícia mais curiosa tenha sido a do jornal do Papa. O l’Osservatore Romano daqueles dias relata uma correspondência de Praga de um médico surdo que ouviu a voz de Pio XI no rádio, graças a um aparelho que ele inventou. O título era: “Até os surdos o ouviram”. Não é um milagre, mas é de tirar o chapéu para o humorismo.

Fonte: Radio Vaticano

 



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